“Itabira chora por Mariana”, “Pare de nos chamar de área, somos comunidade”, “Enquanto a Vale lucra, nossas casas trincam e nossas vidas racham”. Essas foram algumas das frases estampadas em cartazes elaborados pela Comissão de Atingidos do Sistema Pontal, durante o Ato em Memória e Luta pelos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 5 de novembro de 2015.
A homenagem ocorreu na Praça Acrísio Alvarenga, no dia em que se completam 10 anos do crime ambiental e também busca denunciar o sofrimento das famílias impactadas pela descaracterização do Sistema Pontal, em Itabira.
Com cartazes, palavras de ordem, acendendo velas e fazendo a “Oração dos Atingidos”, os itabiranos promovem homenagem às vítimas do maior desastre-crime socioambiental já registrado no país. No total, o rompimento da barragem liberou uma avalanche de mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, contaminando a fauna, a flora e os cursos d’água com metais pesados,m soterrando o distrito de Bento Rodrigues, matando 19 pessoas e provocando o aborto de um bebê em uma sobrevivente.
Ao relembrar o crime ambiental, Márcia Efigênia, representante da Comissão de Atingidos do Sistema Pontal, reforçou que toda população itabirana é atingida: “A população de Itabira precisa estar ciente dos problemas dos nossos vizinhos. Nós não podemos nos calar. Nós não podemos ter uma noite tranquila de sono enquanto os moradores do Bela Vista e do Nova Vista não dormem por medo, por insegurança”, disse.
“A comunidade de Mariana continua correndo atrás dos seus direitos que são ainda violados, e nós como moradores do Bela Vista, Nova Vista, Jardim das Oliveiras e Praia, reivindicamos os nossos direitos também. Toda Itabira é atingida”, disse outra representante dos atingidos.
Em tempo: O desastre-crime de Martiana deixou mais de 600 desabrigados, atingi 49 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo, percorrendo 663 quilômetros pela bacia do Rio Doce até chegar ao Oceano Atlântico.

