Itabiranos relatam a experiência de viver em países que estão vencendo a Covid-19
Festas, encontros entre amigos e o não uso da máscara já são uma realidade para alguns deles

Embora a luta contra a pandemia seja global, o trajeto de retorno à realidade com que estávamos acostumados tem sido diferente em vários pontos do planeta. Enquanto nações como Índia e o próprio Brasil ainda sofrem muito com o coronavírus, países como os Estados Unidos, Israel e Austrália voltam, aos poucos, a experimentar a sensação de liberdade.
E neste contexto, estão cinco itabiranos espalhados pelo mundo. Se alguns deles vivem a expectativa de serem vacinados o quanto antes, outros já podem se dar ao luxo de abdicarem do uso máscara. É o caso da Maria Fernanda, de 27 anos. Morando na Austrália há quatro anos e meio (quase três deles em Sydney), a itabirana já pode ir a festas, shows e outros eventos sem restrições.
“Minha rotina está normal, continuo trabalhando, indo em festas, shows, praia. A única coisa que realmente estou sentindo falta é da fronteira aberta para receber os familiares e até mesmo fazer nossas viagens. Mas não precisamos mais usar máscaras e não tem mais restrições de número de pessoas em local fechado etc”, conta.

Para Maria Fernanda, que hoje reside em Gold Coast, ações contundentes do governo australiano aliadas à cooperação da população fizeram com que o país da Oceania atingisse esse nível de proteção tão alto.
“O governo australiano tomou medidas corretas para o combate à doença, cada estado tomou suas decisões de acordo com os casos ocorridos. Foram fechadas as fronteiras, tanto que vários australianos ainda estão tentando voltar ao país. E quem conseguiu voltar teve que cumprir quarentena em hotel especificado pelo governo. Foram aplicadas multas às pessoas que desobedecem as regras e em todos os lugares que íamos tínhamos que escanear o QRcode para que, caso alguém infectado passasse por lá, o governo tivesse o controle da hora e, assim, pudesse avisar aos demais para testar imediatamente e cumprir quarentena caso desse positivo. Mas acredito mais ainda que a população fez o seu papel, ficando em casa, usando máscaras e evitando aglomerações de acordo com o que o governo ia nos informando e pedindo”, relata.
Estados Unidos
Hoje com 26 anos, Flávia Caldeira mora em Nova York desde 2018. Mesmo tão nova e sem pertencer a um grupo de risco do coronavírus, ela vive a expectativa de ser vacinada na próxima semana, algo que provavelmente só aconteceria no ano que vem se estivesse em solo brasileiro. Desde o dia 6 de abril, pessoas que possuem entre 16 e 29 anos já podem se imunizar em Nova York.
Segundo Flávia, a rapidez do processo é algo muito satisfatório. No entanto, a felicidade em poder se vacinar tão rápido contrasta com a angústia em ver seus familiares não desfrutarem da mesma oportunidade no Brasil.
“Dá muito orgulho estar aqui e poder vacinar, mas ao mesmo tempo também penso na minha família, nos meus conterrâneos, que ainda estão esperando. É um momento de felicidade, mas não uma felicidade completa, porque ainda tem muita gente, muitos países enfrentando muitas coisas, principalmente o Brasil. Torço para que a vacinação chegue pelo menos a um número de pessoas ok, para que consigam voltar as coisas ao normal, se é que teremos algo normal como era antes”, lamenta.
A jovem também explicou um dos métodos utilizados pelos Estados Unidos para liderar o ranking da vacinação em todo o planeta. Ontem (30), segundo a Casa Branca, a terra do Tio Sam atingiu a marca de 100 milhões de adultos completamente imunizados.
“O Governo Federal destaca que, uma vez que você está vacinado com as duas doses, também não será obrigado a usar máscara. Então acho que isso incentiva as pessoas a quererem ir se vacinar, já que a máscara é o que te incomoda. Lógico que tem algumas restrições, como não poder estar em um lugar com muita gente. Mas a partir do momento que você já não vai ter aquela obrigação de usar a máscara o tempo inteiro, já é um fator que te estimula a ir se vacinar.”

Alemanha
Em setembro de 2019, Dardannya Patente saiu de Itabira para morar em Berlim, após ser aceita em uma universidade da capital alemã. Hoje com 26 anos, a desenvolvedora de web conta que, com a população em isolamento e a vacinação avançando, se sente cada vez mais próxima de voltar a ter uma vida normal novamente.
Para Dardannya, o segredo para a Alemanha, com a maior população da União Europeia, ter um número de casos do coronavírus inferior a países como França, Itália e Espanha está na seriedade com que o governo local tratou o vírus.
“Acredito que o lockdown bem restrito contribuiu bastante para isso (número de casos). Vejo também que aqui há muito mais consciência por parte da população em se cuidar e respeitar as regras, principalmente pelo fato de que o governo alemão, no início da pandemia, reforçou as recomendações de isolamento e restrições.”
Segundo a itabirana, um fator econômico importante contribuiu para que o isolamento social funcionasse com eficiência no país do velho continente. Ela ainda traça um paralelo com o Brasil.
“Quando comparado ao Brasil, vemos que a Alemanha está bem melhor quanto ao número de casos e mortes, e isso se deve às rigorosas medidas restritivas do governo alemão. No entanto, a Alemanha garante ajuda financeira aos cidadãos, pequenas empresas e seus funcionários, o que possibilita que as pessoas possam ficar em casa. Já no Brasil, o governo atual não atua com prioridade para possibilitar o completo lockdown, deixando a população sem outra alternativa a não ser trabalhar”, explica.

Portugal
Ao lado do marido, Ana Carolina Silva, de 32 anos, está construindo sua vida em Portugal há 13 anos. Hoje, a moradora de Montijo, localidade próxima ao município de Setúbal, pode dizer que vive em um dos países mais seguros no que se refere ao controle da Covid-19.
Com uma população estimada de, aproximadamente, 10 milhões e 300 mil pessoas até 2019, Portugal não registrou sequer uma morte decorrente da doença por dois dias seguidos (25 e 26 de abril).
Ana Carolina afirma que, além da conscientização do povo português, as medidas preventivas criadas pelo governo foram determinantes para que tais números fossem alcançados.
“Na minha opinião, as medidas de segurança foram muito bem implementadas pelo governo. Houve um lockdown rigoroso, onde quem saísse de casa sem uma justificativa – como a saída a trabalho – era multado de 200 euros até 20 mil euros. Desde março, o país apresentou um plano de desconfinamento que foi distribuído em quatro fases, o qual entramos na última fase que termina em 3 de maio.”

A itabirana conta que tem acompanhado com coração partido a situação em sua terra natal. “Tenho acompanhado a situação no Brasil, é de cortar o coração. Fico desolada com o descomprometimento para um assunto tão sério como uma pandemia. Acredito que a população e o governo devem andar de mãos dadas, senão é um trabalho em vão.”
Irlanda do Norte
Além de ter sido o primeiro país a iniciar a vacinação em massa contra a Covid-19, o Reino Unido tem sido muito elogiado pela evolução da sua campanha de imunização. Tanto que um estudo desenvolvido por professores e pesquisadores do país diz que o Reino Unido pode estar “superando a pandemia”.
Quem celebra esta notícia é a itabirana Lizandra Holanda, que vive na Irlanda do Norte desde 2015. Hoje com 29 anos, ela se mudou ao país para realizar um estágio do curso de economia da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Além de ter concluído o estágio e conseguido um emprego estável na mesma empresa, Lizandra percebe sua vida, aos poucos, voltando ao normal.
“Desde o dia 12 de abril, estamos em processo de saída no lockdown na Irlanda do Norte, o que foi um alívio para todos, ainda mais com o verão se aproximando. Agora as lojas abriram, bares e restaurantes podem funcionar na parte externa, auto escolas também voltaram a funcionar e a restrição de não poder ir mais longe que 10 km da sua casa também foi suspensa. Aqui estão com uma previsão de que as coisas voltariam mais perto do normal em julho”, destaca.

A queda brusca do número de infectados também tem sido celebrada por ela. “Desde que as restrições começaram a ser aliviadas este mês, passou a ser bem melhor poder encontrar com mais pessoas, não ter tanto medo de pegar o vírus e poder voltar a ter uma vida mais social que estava limitada pelo lockdown. É muito gratificante ver as notícias de que o número de infectados reduziu significativamente.”
Por fim, Lizandra lamenta a situação oposta em seu país de origem e deixa um alerta.
“É muito triste ver que a situação no Brasil ainda está muito complicada e a vacinação avança bem lentamente. Me preocupo com todos os meus familiares e amigos, mas estou positiva que as coisas melhorem em breve. Algumas pessoas no Brasil também precisam levar a situação mais a sério e entender a gravidade. Passei o natal e ano novo aí e parecia que a pandemia não existia para alguns. Aqui o Brasil está na lista vermelha, pessoas que chegam do Brasil tem que ficar obrigatoriamente num hotel designado pelo governo por 10 dias para isolamento e testes. Os valores para esse pacote seriam quase 15 mil reais convertidos”, conclui.




