Joesley Batista fala por mais de três horas em novo depoimento à PGR

Joesley Batista já havia prestado depoimento à PGR em maio deste ano

Joesley Batista fala por mais de três horas em novo depoimento à PGR

O presidente do grupo J&F, Joesley Batista, falou por mais de três horas à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, durante este feriado de 7 de Setembro. Ele foi ouvido pela subprocuradora Cláudia Sampaio.

O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. Além dele e de Joesley, também falou à PGR o executivo Ricardo Saud, que aparece conversando com o patrão em gravações divulgadas nesta semana.

Os três delatores foram convocados para esclarecer o teor dessas novas conversas. Nos diálogos, os executivos citam políticos, ex-ministros e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles também chegam a afirmar que o ex-procurador Marcelo Miller, que participou do acordo de delação, atuou para beneficiar os executivos.

A PGR suspeita que Miller tenha atuado como agente duplo. O depoimento do ex- procurador está marcado para esta sexta-feira, 8 de setembro.

Após receber os áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar as suspeitas e anunciou que reveria o acordo de delação premiada assinado com os executivos.

Uma das possibilidades é que, após ouvir os executivos, Janot suspenda os benefícios da delação premiada. Entre os principais benefícios, eles não seriam indiciados criminalmente pelos crimes relatados. Janot pode pedir também a prisão dos delatores se entender que eles mentiram na delação. Em coletiva de imprensa no início da semana, o procurador afirmou que, mesmo cancelado o acordo, as provas obtidas têm validade.

A tese foi rebatida pelo advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz. A decisão final da validade das provas deve ficar com o Supremo Tribunal Federal.