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Jovem morre após seis anos de prisão injusta e dois meses depois de absolvida

Damaris morreu vítima de um câncer dois meses após deixar a prisão- Foto: Redes Sociais/ via Metrópoles

A família da jovem Damaris Vitória Kremer da Rosa, de 26 anos, presa injustamente por 6 anos e que morreu dois meses após sua absolvição pelo júri, em 13 de agosto de 2025, por unanimidade, pretende acionar a Justiça e pedir indenização ao governo gaúcho por danos morais.

A advogada Rebeca Canabarro contou que está em tratativas com os pais da jovem para ingressar com ação reparatória contra o Estado.

Damaris era portadora de câncer no colo do útero e não resistiu às complicações da doença diagnosticada ainda na cadeia. Ironicamente, 74 dias depois ela foi inocentada pelo júri.

A falta que eu sinto da minha filha não existe dinheiro no mundo que vai compensar. Mas ele já estava preparando tudo, ela achava que alguém tinha que pagar por isso, por essa injustiça. E não é só por ela. Tem outras pessoas lá dentro passando por isso igual”, disse Claudete Kremer Sott. Uma das linhas da argumentação/petição é de que teria havido ao menos duas falhas do Estado no processo: na manutenção da prisão preventiva sem fundamentação individualizada e ao negligenciar tratamento médico adequado, violando o dever de assistência.

“Presas diziam que estavam morrendo de dor, iam lá pedir medicamento e repassavam para ela, porque não aguentavam ver ela gritando de dor e não davam um Paracetamol para tomar”, disse a mãe da jovem.

A Polícia Penal disse, em nota que, “durante o período em que esteve sob custódia, Damaris recebeu 326 atendimentos técnicos, dentre eles, 59 atendimentos médicos de diversas especialidades; 51 atendimentos de enfermagem; 67 atendimentos do serviço social e 56 atendimentos psicológicos“.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS), em nota, disse que vai se manifestar somente quando e se os familiares ingressarem com a ação.

O Ministério Público gaúcho acusou Damaris de atrair Daniel Gomes Soveral para uma emboscada e, na denúncia apresentada à Justiça em 2019, a promotoria disse que “ela teria ajustado o assassinato juntamente com outros dois denunciados e agido com conduta dissimulada ao manter um relacionamento com a vítima, de forma a fazê-la ir ao local estipulado para a execução”.

Damaris foi acusada de um homicídio ocorrido em 30 de novembro de 2018, em Salto do Jacuí (RS), por supostamente atear fogo no carro de Daniel com o corpo dentro.

Na época, outras duas pessoas também responderam pela participação no crime, o seu namorado Henrique Kauê Golmann e Wellington Pereira Viana.

A promotoria apontou que Henrique foi o autor do disparo que matou Daniel, com o auxílio de Wellington na organização do crime.

A defesa da jovem sempre negou sua participação no crime, alegando que ela apenas relatou ao então namorado, Henrique, que teria sido estuprada por Daniel, o que levou Henrique a agir por conta própria ao atentar contra a vida da vítima.

Henrique foi condenado por homicídio após julgamento. Wellington foi inocentado.

Damaris foi a júri somente em agosto de 2025, seis anos após sua prisão e, enquanto aguardava julgamento, sua defesa tentou por várias vezes a revogação de sua prisão preventiva, com o Ministério Público se opondo à sua liberdade, decisão apoiada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Com o quadro clínico piorado, em março deste ano, a Justiça converteu sua prisão em domiciliar, morando com a mãe, em Balneário Arroio do Sul.

No dia 26 de outubro, 74 dias após sua absolvição, Damaris morreu por complicações do câncer, com seu corpo velado e sepultado no dia seguinte no Cemitério Municipal de Araranguá, em Santa Catarina.

*Fonte: UOL

 

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