Justiça torna ré médica que planejou morte de farmacêutica para ficar com a filha da vítima

Justiça mantém prisão preventiva e leva ao Tribunal do Júri médica acusada de planejar o crime para ficar com a filha da vítima em Uberlândia

Justiça torna ré médica que planejou morte de farmacêutica para ficar com a filha da vítima
Foto: Reprodução Redes Sociais

A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou a médica Cláudia Soares Alves em ré. Ela é acusada de planejar a morte de uma farmacêutica em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para ficar com a filha da vítima. Com isso, a médica passa a responder por homicídio qualificado no Tribunal do Júri.

Além disso, o homem apontado como executor do crime, vizinho da médica, também responderá à ação penal. Ele foi denunciado por homicídio qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo.

A decisão partiu do juiz Dimas Borges de Paula, da 5ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, no fim da última semana. Segundo o magistrado, a denúncia cumpre todos os requisitos legais. Além disso, o juiz apontou a existência de provas da materialidade e indícios suficientes de autoria.

Por esse motivo, a Justiça manteve a prisão preventiva dos dois acusados. Eles estão presos desde 5 de novembro do ano passado. Nesse sentido, o juiz destacou a gravidade do crime e o risco à ordem pública como fundamentos da medida.

Motivação estaria ligada à disputa pela guarda de uma criança

De acordo com a Polícia Civil, a médica arquitetou o homicídio para assumir os cuidados da filha da farmacêutica. Conforme a investigação, Cláudia Soares mantinha um relacionamento com o ex-companheiro da vítima. Além disso, demonstrava o desejo de criar a criança.

No entanto, a farmacêutica teria restringido o contato da filha com o pai quando ele estava acompanhado da médica. Assim, segundo os investigadores, os conflitos entre as partes se intensificaram ao longo do tempo.

Tentativa de desmoralização antecedeu o assassinato

Ainda segundo o inquérito, a médica tentou desmoralizar a vítima antes do crime. Para isso, enviou um pênis de borracha e uma carta escrita à mão, entregues pelo executor. Dessa forma, a ação buscava manchar a imagem da farmacêutica perante a família.

Segundo a Polícia Civil, essa iniciativa integrou o planejamento do homicídio. Portanto, os investigadores consideram o episódio parte do conjunto de provas reunidas no caso.

Quarto de bebê e histórico criminal da acusada

Durante a prisão da médica, em novembro, policiais encontraram um quarto preparado para bebê. O espaço continha berço, enxoval e uma boneca do tipo bebê reborn. Além disso, enquanto aguardava para prestar depoimento, a médica cantou a música “Take On Me”, da banda a-ha.

Cláudia Soares já havia ganhado notoriedade em outro episódio policial. Ela foi presa após raptar uma recém-nascida no Hospital das Clínicas de Uberlândia. Embora esse caso seja apurado em processo distinto, a Justiça considera o episódio relevante para análise do comportamento da acusada.

Crime hediondo e andamento do processo

Na decisão, o juiz afirmou que a investigação identificou um esquema articulado, com divisão de tarefas entre os envolvidos. Além disso, classificou o homicídio como crime hediondo. No caso do executor, pesa também a acusação de adulteração do veículo usado na ação criminosa.

O magistrado ainda ressaltou que os acusados não comprovaram residência fixa nem ocupação lícita. Por isso, manteve a prisão preventiva.

Por fim, com o recebimento da denúncia, os réus foram citados para apresentar defesa por escrito. Em seguida, o processo entra na fase de instrução, com produção de provas e oitiva de testemunhas. Somente depois disso a Justiça decidirá sobre o julgamento pelo Tribunal do Júri.