Kalil repudia posicionamento de Bolsonaro e incentiva isolamento em BH

Prefeito de Belo Horizonte foi às redes sociais pedir para que o povo mineiro continue em suas casas

Kalil repudia posicionamento de Bolsonaro e incentiva isolamento em BH
Prefeito Alexandre Kalil incentiva o isolamento social em BH – Foto: Reprodução/Twitter

Paulo Henrique Dias
De Belo Horizonte

O posicionamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), tornado público na última terça-feira (24), em defesa do que chama de “isolamento vertical”, não foi bem digerido pelo prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). Via redes sociais, o chefe do Executivo da capital mineira fez críticas ao presidente e pediu que os belo-horizontinos continuem em casa.

Diferente do que aconselha a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o modelo que vem sendo adotado em diversos país, Bolsonaro defendeu a reabertura do comércio e de escolas. Segundo ele, o isolamento deve ser apenas para grupos de riscos, como idosos e portadores de outras doenças.

Para o prefeito de Belo Horizonte, a Covid-19 não é apenas uma “gripizinha”, conforme tem dito Bolsonaro. “Vamos ficar em casa! Ficar em casa! Pelo amor de Deus, ficar em casa”, exclamou Kalil, em uma sequência de tuítes logo após a fala do presidente. “Quem orienta é o ministro da Saúde. Esqueçam os cretinos na internet. Vamos seguir o Ministério da Saúde”, continuou o prefeito.

“Foi pauta de campanha do presidente da República, de que seriam homens técnicos no seu lugar e, na primeira vez que apareceu um homem técnico dando instruções técnicas, ele foi desmoralizado pelo presidente da República. É óbvio que nós sabemos que temos que ficar em casa”, disparou o prefeito de Belo Horizonte.

Medidas 

Em vídeo publicado em sua rede social no dia 25 deste mês, Kalil enfatizou algumas ações que serão tomados durante o período de combate ao vírus. O prefeito exaltou a criação de mais 130 leitos de enfermaria e 70 de CTI no prédio onde funcionava o hospital Hilton Rocha. Kalil ainda disse que a rede pública de BH possui respiradores artificiais suficientes para atender 7 mil pacientes ao mesmo tempo.

Outra ação traçada pela prefeitura para minimizar os impactos do coronavírus, no lado econômico/social, será a distribuição de cestas básicas para famílias do cadastro social do município que tenham crianças. Segundo Kalil, são 148 mil famílias nessas condições.

Para os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente contra a pandemia, a prefeitura comprou 250 mil máscaras e 60 mil luvas para distribuir. Além dos EPI’s, foi recebido de uma usina 12,5 mil litros de álcool líquido para o município, material que será distribuído nas unidades de saúde. Ainda segundo o prefeito, por se tratar de álcool líquido, que possui um potencial inflamável maior, o material não poderá ser doado à população mais pobre, por causa do risco de acidentes.

Pressão em BH  

Durante amanhã desta sexta-feira, manifestantes se reuniram em frente à Cidade Administrativa. Os organizadores pedem o fim das medidas de restrição e a volta das atividades comerciais. Uma carreata saiu em direção à porta da Prefeitura de Belo Horizonte, na avenida Afonso Pena, no Centro da capital.

Escalada de casos 

Os números de caos confirmados ainda continuam crescendo em Minas Gerais. Atualizado na manhã desta sexta-feira (27), o boletim epidemiológico já contabilizava, até o momento, 21.691 casos suspeitos, 189 casos confirmados e 28 óbitos sob investigação.

Segundo Carlos Eduardo Amaral, secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, “é necessário que a população entenda que a partir do momento em que o isolamento é feito, há uma demora entre 7 e 14 dias para que comece a dar resultado”.

“Quanto mais rápido ocorrer o aumento de casos, maior é o estresse do ponto de vista assistencial, maior é a dificuldade de atender os possíveis doentes. Já o isolamento tende a achatar a quantidade de casos que ocorrem a cada dia e isso permite que o SUS se adapte, prepare leitos e traga um atendimento melhor em sua prestação de serviços. As pressões do setor econômico são importantes e de fato devem ser levadas em consideração, mas, neste momento, entendemos que o isolamento é fundamental”, argumento o secretário.