Lei da Palmada: itabiranos opinam sobre o assunto

Ézio dos Santos, 38 anos, acha que a medida é incoerente

Lei da Palmada: itabiranos opinam sobre o assunto
 
A Câmara de Deputados aprovou nessa quarta, 14 de dezembro, o projeto de lei que proíbe qualquer tipo de punição física aos filhos, sejam crianças ou adolescentes. O projeto em questão é conhecido como Lei da Palmada, que ainda passará por votação no Senado, mas já vem gerando polêmica. Isso porque, de acordo com o projeto, os pais que maltratarem os filhos serão encaminhados a programas oficiais de proteção à família e cursos de orientação, tratamentos com psicólogos e até advertência. Já a criança será encaminhada a tratamento especializado.
 
Entre os parlamentares, houve controvérsias relativas aos termos contidos no texto original. O termo agressão física, que fazia parte do projeto original, foi substituído por castigo físico, por entenderem que nem sempre um castigo físico que a criança ou adolescente sofre é caracterizado como uma agressão.
 
Mas qual será o limite de interferência do Estado na educação que os pais dão aos filhos? Realmente uma palmada ou atitude semelhante denota violência doméstica? Ou uma boa conversa resolve problemas mais profundos? DeFatoOnline foi às ruas saber o que as pessoas acham da proposta.
 
Opiniões
Para a monitora Flávia da Silva Pereira, 30 anos, a medida surge como uma forma de desviar as atenções da sociedade quanto a temas mais importantes. “Bater violentamente não é correto, mas acho que o Estado já tem tantas outras coisas para se preocupar, como a corrupção. Eu penso que a Lei é para tapar os olhos das pessoas, mudando o foco das discussões”, argumenta.
 
A monitora, que tem dois filhos – uma menina de nove anos e um menino de sete meses – acredita ainda que a proposta atrapalha na educação. Segundo ela, as crianças, em resposta a qualquer correção paterna, podem chamar órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar e a polícia, situação que já presenciou. Flávia afirma que aposta no diálogo com a filha e quando a menina excede, a mãe dá correção de uma forma sensata. “A gente corrige mais com restrições, como ficar sem computador, sem um determinado brinquedo ou sem a pizza, que ela gosta”, conta.
 
A mesma opinião expressa o servente Ézio dos Santos, 38 anos. Ele diz que a medida é incoerente, pois a lei tira a autoridade dos pais. Ézio confessa que corrige com uma palmada, quando vez ou outra alguma de suas filhas, de 10, 12 e 13 anos, passa do ponto. Mas afirma que a relação com as meninas é de muita conversa.
 
“Uma palmada não mata ninguém. Se fosse assim, já era para eu ter morrido. Minha mãe (já falecida) me corrigia de várias formas, até com fio elétrico, nem por isso meu amor por ela diminuiu”, conta. Ézio, porém, faz ressalvas. “Acho que o pai não pode bater no filho para tirar sangue”.
 
O jovem Wladimir Júnio, estudante de 12 anos, discorda da medida até certo ponto. Para ele, alguns pais que sofreram violência na infância descontam nos filhos. “Para estes, a lei vale. O pai pode dar uns tapinhas para mostrar que existe uma autoridade na casa – só não pode ser violento”, diz.