Lei que proíbe circulação de carroças em BH entra em vigor nesta quinta-feira, mas multas estão suspensas

Decisão do TJMG suspende penalidades previstas na legislação que proíbe veículos de tração animal na capital mineira

Lei que proíbe circulação de carroças em BH entra em vigor nesta quinta-feira, mas multas estão suspensas
Foto: Divulgação/SMMA

A lei municipal que proíbe a circulação de veículos de tração animal em Belo Horizonte entra em vigor nesta quinta-feira (22). No entanto, os carroceiros ainda não poderão ser multados. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu, de forma liminar, a aplicação das penalidades previstas na norma.

A legislação foi aprovada em 2021 e estabelecia um prazo de dez anos para a substituição das carroças por veículos motorizados. Contudo, em 2023, a Câmara Municipal alterou o texto e reduziu o período de transição para cinco anos. Com isso, a proibição passou a valer já neste ano.

Segundo a Comissão de Direitos dos Animais da Câmara, a norma busca garantir o bem-estar dos equídeos. Dados do colegiado indicam que, em média, um cavalo vítima de abandono ou maus-tratos é apreendido a cada 72 horas na capital mineira.

Justiça suspende aplicação de multas

Apesar de a lei já estar em vigor, o TJMG decidiu suspender as multas previstas para quem descumprir a proibição. A decisão atende a um pedido da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), que ingressou com uma Ação Civil Pública contra o município.

No processo, a Defensoria sustenta que a medida, da forma como foi implementada, ameaça a subsistência de famílias que dependem da atividade como principal fonte de renda. Além disso, o órgão afirma que o poder público não garantiu alternativas concretas de trabalho aos carroceiros.

Em primeira instância, a Justiça negou o pedido. No entanto, ao analisar o recurso, o TJMG concedeu parcialmente a liminar. O desembargador relator avaliou que a lei prevê a substituição das carroças, mas não houve a execução efetiva das medidas de transição.

Falta de plano de transição

Na decisão, o magistrado destacou que a própria Prefeitura de Belo Horizonte reconheceu não ter, até o momento, um plano concreto para viabilizar a transição. Segundo o relator, também não há dotação orçamentária nem fonte de custeio definidas para executar o programa previsto em lei.

Diante disso, o desembargador concluiu que a aplicação imediata de multas poderia contrariar os objetivos sociais da norma. “Em um juízo preliminar, é possível verificar conflito entre a cobrança de multas administrativas e a ausência de implementação das providências previstas”, afirmou.

Prefeitura afirma que vai recorrer

A Procuradoria-Geral do Município informou que irá recorrer da decisão judicial. Em nota, a PBH ressaltou que a liminar suspende apenas a aplicação das multas, mantendo válidas as demais determinações da legislação.

Além disso, a prefeitura afirma que já adota ações para uma transição considerada ética e segura. Entre as medidas citadas estão o cadastramento dos carroceiros, a microchipagem, vacinação e vermifugação dos animais.

A administração municipal também informou que realiza blitzes educativas e palestras sobre a legislação, normas de trânsito, bem-estar animal e manejo adequado de resíduos. Por fim, a PBH mantém o recolhimento e o atendimento veterinário de equídeos encontrados em vias públicas.

Enquanto o impasse judicial permanece, a lei passa a valer nesta quinta-feira, mas sem a aplicação de multas até nova decisão da Justiça.