Léo Burguês renuncia ao mandato antes de possível cassação na Câmara de Belo Horizonte
Com a renúncia, o ex-vereador evitou um processo de cassação que lhe tiraria oito anos de diretos políticos
Nessa quarta-feira (8), o Plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte iria deliberar o recebimento da denúncia contra Léo Burguês (União) mas, antes que a denúncia fosse votada, o parlamentar renunciou ao mandato de vereador. Ele alegou que o processo contra ele seria político e que não seria tratado com imparcialidade.
Com a renúncia, a representação contra ele foi arquivada. “Eu espero que este bandido do qual a Câmara Municipal se livrou hoje possa carregar pra longe daqui a corrupção, que é a marca do seu nome”, afirmou o presidente Gabriel Azevedo (sem partido), se referindo a Léo Burguês.
A convocação da suplente pelo PSL, Janaína Cardoso, agora filiada ao União Brasil, foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) desta quinta-feira (9) e sua posse ocorrerá hoje, durante a reunião do Plenário, a partir das 15h; a futura vereadora esteve na Casa após o encerramento da reunião ordinária e declarou que espera contribuir para a cidade “com disposição e compromisso”.
Acusação de Léo
Antes de renunciar, Léo apresentou um vídeo em que o ex-vereador Carlos Henrique procura Gabriel Azevedo dizendo que protocolaria denúncia contra Ciro Pereira (PTB) por prática de rachadinha e por manter funcionários-fantasma. No vídeo, o presidente pede a Carlos Henrique, primeiro suplente de Ciro, que não protocolize a denúncia e afirma que, caso o fizesse, o ex-vereador se tornaria seu adversário. Pela edição do vídeo, o presidente da Câmara é acusado de prevaricação e ameaça.
A respeito do vídeo, Gabriel afirmou que também gravou o diálogo com Carlos Henrique, mas com a ciência do corregedor da Câmara, Marcos Crispim (PP). Conforme o presidente, o suplente o teria tentado achacar para voltar ao Legislativo Municipal na cadeira hoje ocupada por Ciro. “Este é o teatro lamentável que o senhor Léo Burguês resolveu fazer”, afirmou o presidente, que ainda chamou Léo de covarde, por ter optado pela renúncia, o que evitou um processo de cassação que tiraria oito anos de diretos políticos do parlamentar.
Ainda a respeito da manifestação de Léo Burguês em Plenário pouco antes da renúncia, Gabriel afirmou: “Belo Horizonte inteira sabe quem é Léo Burguês. Se ele quer me responsabilizar pela cassação dele, é responsabilidade que eu aceito com muito orgulho e vaidade”.

Denúncia
A denúncia assinada pelo advogado Mariel Márley Marra, mostra que Léo Burguês teria praticado atos “absolutamente incompatíveis com a dignidade do cargo parlamentar e a imagem pública desta Casa Legislativa”.
Entre as denúncias estão utilização de parte do salário de funcionários de seu gabinete para o pagamento de despesas pessoais, prática popularmente conhecida como ‘rachadinha’; uso de mão de obra de funcionários pagos pela CMBH, em horário de trabalho, para o cumprimento de atividades particulares do vereador; ocultação de patrimônio móvel e imóvel; despesas e declarações eleitorais com sinais de irregularidades; procedimento indecoroso durante eleição da Mesa Diretora da Câmara, quando teria chegado a chutar porta e a socar paredes da Casa; uso de recursos obtidos de forma ilícita em um empreendimento próprio, o Chateau Benigna, cujo resultado final seria a obtenção de capital limpo; e utilização da influência política para evitar a devida fiscalização de empreendimento irregular chamado Mister Rock.




