Líder comunitária lamenta demora, mas avalia positivamente as visitas da Vale no Bela Vista
A Vale conclui nesta sexta-feira, 1º de março, a primeira semana de visitas às casas mais próximas das barragens de rejeito em Itabira. Nesses dias iniciais, as equipes contratadas pela mineradora se concentraram em ruas dos bairros Bela Vista e Nova Vista, vizinhas ao Pontal, maior estrutura de contenção mantida pela empresa no município. Para […]

A Vale conclui nesta sexta-feira, 1º de março, a primeira semana de visitas às casas mais próximas das barragens de rejeito em Itabira. Nesses dias iniciais, as equipes contratadas pela mineradora se concentraram em ruas dos bairros Bela Vista e Nova Vista, vizinhas ao Pontal, maior estrutura de contenção mantida pela empresa no município. Para a presidente da associação de moradores do Bela Vista, Maria Aparecida Oliveira, embora tardia, a ação é positiva e tem tranquilizado a comunidade.
Cida, como é conhecida na comunidade, conta que a Vale a procurou dias antes do início das visitas para falar sobre como seria o procedimento. A empresa também pediu permissão para usar a estrutura da associação local como base de apoio para os trabalhos. A líder comunitária, residente da rua Cônego Guilhermino, uma das mais próximas à barragem do Pontal, acredita que a ida das equipes às casas está cumprindo o objetivo de deixar os moradores mais bem informados.
O trabalho nas casas é feito por profissionais da área de humanas. Assistentes sociais, psicólogas e enfermeiras foram contratadas pela Vale, que aposta nas técnicas de acolhimento dessas equipes para tranquilizar as comunidades. “Acredito que tem dado certo. As pessoas estão sendo bem informadas. Acho que só em ver a empresa se movimentando os moradores já ficam mais tranquilos”, avalia a presidente da associação.
Cida, no entanto, lamenta que a Vale tenha demorado tanto para colocar em prática o Plano de Ação e Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). “Infelizmente, tiveram de acontecer duas tragédias para que eles nos procurassem”, afirma a moradora. “Talvez, se um trabalho como esse tivesse acontecido em Mariana e Brumadinho, não teria acontecido as tragédias que aconteceram, com tanta gente morta”, completa.

As visitas estão sendo mais rápidas do que a Vale e a Defesa Civil de Itabira previam. A coordenação projetava permanência de até 1h nas casas, mas os encontros têm durado cerca de 20 minutos. Os profissionais contratados pela mineradora fazem um diagnóstico completo das famílias e passam informações sobre rotas de fuga e pontos seguros em caso de um eventual rompimento de barragem. O som das sirenes também é apresentado.
Moradora da rua Antônio Germano Barbosa, a aposentada Luiza da Silva Lemos, 88 anos, disse se sentir mais segura após ter conversado por quase 25 minutos com as profissionais que bateram à sua porta. “Eu estava um pouco preocupada, sim. A gente escuta muita coisa e fica sem saber o que é de verdade mesmo. As meninas me explicaram tudo o que eu teria que fazer”, comenta a idosa, que disse ainda ter visto mapas e recebido uma carta da Vale.
Desvalorização é preocupação
Embora considere positiva a ação de visita às casas da comunidade, a líder Cida chama atenção para uma preocupação que diz já ter manifestado à Vale: a desvalorização dos imóveis do bairro Bela Vista, sobretudo às mais próximas à área de rejeito.
“Minha casa, por exemplo, é muito boa, toda feita em laje, mas hoje, se eu quiser vender, não consigo R$ 350 mil nela”, diz a presidente da Associação, antes de abordar a situação de outros moradores do bairro: “Pessoas que moram nas ruas coladas ao rejeito, como a João Júlio de Oliveira Jota, estão em um cenário crítico.”
Para Cida, não há outra alternativa a não ser a remoção e o ressarcimento desses moradores muito próximos à zona de rejeitos. “Já tentei conversar com a Vale sobre isso, mas ainda não consegui. Eu vou insistir. Eles terão que nos dar uma posição sobre isso”.
Em meados do mês passado, durante visita à Câmara de Vereadores, o gerente da Vale em Itabira, Rodrigo Chaves, ao responder a questionamento semelhante sobre a desvalorização dos imóveis, disse que a empresa não tem planejada a remoção de moradores em Itabira.