Linha chilena e cerol transformam pipas em “armas” perigosas

Ciro, que produz pipas há mais de 30 anos, compara as linhas comum e chilena

Linha chilena e cerol transformam pipas em “armas” perigosas

Quem tem o hábito de soltar pipas sabe bem que os meses de julho e agosto são as épocas mais propícias para brincar. Porém, algumas pessoas ainda insistem em tornar a diversão perigosa. Como se já não bastasse o cerol, agora surge um novo componente que coloca em risco tanto que solta o papagaio quanto quem não tem nada a ver com isso: as linhas chilenas. Com um poder de corte quatro vezes maior do que o cerol, esse material pode transformar um brinquedo em arma.

A utilização desses artifícios é proibida e provoca ferimentos graves e até mortes. De acordo com o tenente Salazar, do 26º Batalhão da Polícia Militar, no momento não há operação específica na cidade contra a utilização de cerol ou das linhas chilenas, mas quando há denúncia, a PM vai até o local. A corporação diz que devido às férias escolares, há um aumento de crianças empinando papagaios pelas ruas. Com isso, os responsáveis devem ficar atentos ao uso de materiais proibidos. “Uma linha de pipa com cerol ou a linha chilena se transformam em verdadeiras navalhas, representando risco de acidentes a motociclistas, ciclistas, pedestres, skatistas e outros”, alertou o tentente.

Ainda segundo o militar, o uso do cerol e da linha chilena são considerados crimes penais, dispostos nos artigos 129, 132 e 278 do Código Pena Brasileiro. A utilização do material por crianças ou adolescentes pode levar à apreensão da pessoa e do material. Já no caso de adultos, o uso pode resultar em prisão.

A Polícia Militar recomenda a prática de soltar pipas apenas em locais longe da rede elétrica e em ruas sem trânsito. A população pode denunciar o uso do cerol pelo telefone da PM, no 190.

Bom exemplo

Um bom exemplo de como praticar a brincadeira da forma correta vem do itabirano Ciro Gomes de Castro, que além de produzir papagaios há mais de 30 anos, ainda realiza palestras de conscientização quanto ao uso do cerol. Ele cria os papagaios com os materiais mais ecologicamente corretos: bambu, papel de seda, cola e linha de costura.

Ciro diz que a linha chilena é proibida, mas alguns vendedores a comercializam em rolos de 12 mil metros. “Hoje, ela é uma arma, não somente na mão de criança, mas também de adulto. Em Belo Horizonte, os casos são graves e constantes”, citou. O "pipeiro" lembra que uma das finalidades do cerol e da linha chilena é arrebentar a linha de outros papagaios como forma de status entre os praticantes, a chamada “coiêta”.

Ciro já tem programação para ministrar palestras em várias escolas de Itabira e em São Gonçalo neste semestre. Em suas abordagens, ele mostra vídeos e materiais informativos, tanto de rede elétrica, quanto sobre a utilização do cerol. Um dos parceiros estratégicos de seu trabalho é a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que lhe fornece material informativo e vídeo sobre os perigos da rede de eletricidade.