Lula e Trump têm um encontro marcado dia 23

Donald John Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se encontrarão na abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York

Lula e Trump têm um encontro marcado dia 23
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O “desencontro” tão esperado finalmente acontecerá. Anote na sua agenda de fortes emoções. Donald John Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se encontrarão na abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no dia 23 deste mês. Nada previsível de tanto imprevisível. O chefe de Estado brasileiro será o primeiro a discursar no “espetáculo” das estrelas da política. A primazia tupiniquim é uma tradição da entidade. O presidente dos Estados Unidos aparece como o segundo de extensa fila.

E tome falatórios. Os governantes dos quatro cantos da Terra ocupam a tribuna e disparam o que vem à cabeça. Alguns usam teleprompter. O aparelho é uma espécie de imunizante contra vexames. Afinal, o traiçoeiro improviso pode se transformar no mais letal dos venenos. Não há um tema específico para se debater nestes encontros. E é aí que mora o perigo.  A reunião planetária deste ano promete. Lula começará a coisa toda. Em seguida, Trump irá à frente dos holofotes.

Mas, como funciona o blá-blá-blá neste palanque transnacional?  Tudo não passa de teatro. A maioria dos representantes de nações faz pose e não discursa para a plateia da geopolítica. Apenas finge. Na verdade, o orador mira o público interno do seu país de origem. Expressa exclusivamente o que a população da sua pátria gostaria de ouvir. E com razão.  O resto da aldeia global não tem o mínimo interesse em ouvir papo-furado de mandarins de republiquetas de bananas.

Este ano, porém, a lengalenga pode sair da tradicional monotonia. A presença de Lula e Trump é quase garantia de descarrilamento do trem da retórica. O norte-americano e o brasileiro têm potencial para tacar fogo no picadeiro. Lula apresenta DNA de sindicalista encrenqueiro. Então, espera-se um pronunciamento mais incisivo do “companheiro maior”. O morador do Palácio da Alvorada deve subir o tom contra o xerife do tarifaço. Trump, por sua vez, é um empresário exótico e atrevido. Não costuma levar desaforos para Casa Branca. O desenrolar da trama depende do comportamento do petista. Como será o pontapé inicial de Luiz Inácio? Se atacar, provocará a inevitável réplica do “imperador do universo”.  Contudo, se se conservar no “modo água com açúcar”, beberá refresco e tudo acabará em suco de maracujá.

O panorama atual é muito distinto do cenário de setembro de 2022. Naquela ocasião, Donald Trump e Jair Bolsonaro eram marinheiros de viagem inaugural. Ocupavam a presidência pela primeira vez. Uma feliz coincidência. Os dois tiveram rápido encontro nos corredores da ONU, depois da degustação das “abobrinhas” do capitão. Messias não se conteve diante da súbita aparição de Orange e exclamou “I love you”. O republicano nem deu bola para o nativo do Terceiro Mundo. Andou apressadamente e sequer olhou para trás. O tempo- o real senhor da razão- voa com a ligeireza do corpo estranho “3I/ATLAS” (58 km/s). Hoje,Trump e Bolsonaro são “amigos íntimos”. Quem diria!

P.S.: Anote este nome: Zohran Mamdani. De olho na história!

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

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