Lula recebeu ao menos 16 políticos estrangeiros enquanto esteve preso
Entre os visitantes, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica e o então candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández

No último sábado, 18 de julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou o pedido para que o presidente argentino Javier Milei pudesse visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar, citando a proibição de encontros de caráter político-eleitoral até o fim da eleição.
No entanto, durante os 580 dias em que esteve preso na Polícia Federal em Curitiba, de 2018 a 2019, o presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT) recebeu pelo menos 16 visitantes estrangeiros, como ex-chefes de Estado, intelectuais a ativistas, todos autorizados pela Justiça.
Entre os visitantes, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o então candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández, o ex-presidente do Parlamento Europeu Matin Schulz e o filósofo e linguista Noam Chomsky.
O levantamento feito pelo Poder360 compilou dados de veículos de comunicação de grande circulação, além de canais institucionais ligados ao presidente.
A 12ª Vara Federal de Curitiba não permitiu a visita de alguns nomes, como o argentino Alfredo Pérez Esquivel, em 19 de abril de 2018, vencedor do prêmio Nobel da Paz, que, barrado pela justiça, não passou da portaria da Superintendência da PF.
Dois meses depois, em 11 de junho, o advogado argentino Juan Grabois, que atuava como consultor do Conselho de Justiça e Paz do Vaticano, que teve o acesso negado ao tentar entregar a Lula um rosário enviado pelo então papa Francisco.
O encontro entre Milei e Bolsonaro estava agendado para 25 de julho próximo, data em que o presidente argentino tem viagem marcada para o Brasil.
Moraes classificou o encontro como “prejudicado” baseado em uma nova determinação judicial proferida no dia 17 de julho de 2026, que proibia visitas de caráter político-eleitoral ao Bolsonaro até o fim do pleito de outubro de 2026.
A decisão de Moraes ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência, publicar em suas redes sociais uma “Carta aos Brasileiros”, escrita à mão por Jair Bolsonaro, reforçando a pré-candidatura do filho. O STF entendeu o ato como um ato burlando as restrições de comunicação impostas à prisão domiciliar.
Condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro tem autorização para conviver com os familiares próximos, funcionários e equipes médicas de defesa.