LUTO — Adeus a José Maria Rocha, o “Bolão”

Fundador do tradicional Bar do Bolão, José Maria Rocha morreu aos 76 anos; criador do famoso espaguete e do clássico mexidão, ele marcou gerações e recebeu artistas como Skank, Clube da Esquina e Sepultura em Santa Tereza

LUTO — Adeus a José Maria Rocha, o “Bolão”
Crédito: Portal PBH

Morreu nesta terça-feira (2) José Maria Rocha, o lendário “Bolão”, fundador do icônico Bar do Bolão. Ele tinha 76 anos e faleceu em um hospital no bairro Santa Efigênia, vítima de complicações da diabetes.

Uma história que virou lenda da boemia de BH

  • O Bar do Bolão foi inaugurado em 1961 pelos pais de José Maria, com o nome original de “Bar Rocha & Filhos”.

  • Ainda jovem, José Maria assumiu a cozinha e criou a receita de espaguete que faria a fama da casa — e, com isso, o bar passou a ser conhecido como “O Espaguete do Bolão”.

  • Além do espaguete, outro prato símbolo da casa era o Rochedão — mistura de arroz, feijão, batata, bife e ovo — uma comida farta pensada para “salvar ressacas” e alimentar boêmios nas madrugadas.

  • Também havia a versão “mexidão / mexido” — muitas vezes associada aos pratos robustos e simples da casa — que, junto com o espaguete e o rochedão, formava a essência da cozinha popular e acolhedora do Bolão.

Ícone da cultura, da boemia e da música mineira

O Bolão se consolidou como um ponto emblemático da noite de Belo Horizonte. No auge da boemia local, era passagem obrigatória para músicos, artistas, taxistas, médicos de plantão ou quem quisesse uma refeição barata e farta madrugada adentro.

Por suas mesas passaram nomes de peso da música mineira e nacional. Entre os frequentadores ilustres estão artistas do movimento Clube da Esquina, além de integrantes das bandas Skank e Sepultura — que, segundo relatos, consideravam o Bolão um refúgio pós-show, espaço para confraternização, descanso ou uma “saideira” garantida.

Para o ex tecladista do Skank, Henrique Portugal, por exemplo, o Bolão sempre foi “um lugar de encontro e de fim de noite” — ponto fixo de confraternização da galera da música.

Encerramento de um ciclo e o legado que permanece

Nos últimos anos, José Maria havia se afastado da rotina do bar (há cerca de 15 anos) para cuidar da saúde.
Em outubro de 2025, a unidade histórica do Bolão — no casarão da Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza — encerrou suas atividades.
A notícia da morte de “Bolão” poucas semanas depois do fechamento do endereço símbolo reacende o sentimento de fim de uma era, mas também de homenagem — pois o espírito de quem levou para as mesas de BH comida de coração, boemia, encontros e histórias permanece vivo na memória de muitos.

A perda de um símbolo

Com sua partida, Belo Horizonte perde mais do que um empreendedor — perde um símbolo da boemia, da convivialidade, da cultura popular. Quem passou pelaquelas mesas guarda lembranças de conversas madrugada adentro, risadas, canções, encontros inesperados, aquela fome de bar feita com alma. O espaguete, o rochedão, o mexidão — tudo era parte do ritual da noite, e continuou por décadas unindo gente de todas as idades e classes.

Hoje, ao nos despedirmos de José Maria Rocha, celebramos também o legado do Bar do Bolão: um pedaço da história, da memória e da alma de BH — impresso no sabor de uma comida caseira, no tilintar de copos, nas histórias trocadas na madrugada.