Mais 30 anos, pelo menos

Gerente da Vale garante produção mineral em Itabira por mais três décadas seguramente

Mais 30 anos, pelo menos

 

Natural de Sorocaba (SP), o engenheiro de minas Júlio Yamacita assumiu a gerência geral da Vale em Itabira, cidade que o acolheu há mais de uma década, no início deste ano. À frente dos principais projetos da mineradora em Minas, Júlio conta, na entrevista a seguir, detalhes dos investimentos feitos no município e aspectos da relação da empresa com a comunidade. No total, as minas Conceição e Cauê receberão R$ 7 bilhões para obras de adequação, aportes já aprovados. As duas usinas são preparadas para beneficiar o itabirito compacto, material de baixo teor de ferro que até então era descartado. Aproximadamente 11,5 mil empregos foram gerados e outros 5 mil serão criados – além das oportunidades de negócios.
 
A Vale tinha em andamento o projeto Conceição Itabiritos, quando o senhor chegou à cidade. Quais os desafios o esperam?
Primeiro tenho de garantir a continuidade da operação em Itabira. A cidade é muito importante para a Vale não só pelo volume de produção, mas pela qualidade do minério. O projeto Conceição Itabiritos está com o cronograma em dia e a expectativa é que as operações sejam iniciadas no final do 1º semestre deste ano a meados do ano que vem. Também tem o desafio muito grande de preparar as equipes para receber o projeto e colocá-lo dentro do patamar previsto.
 
Como estão as contratações para este projeto?
Serão necessárias aproximadamente 500 pessoas. Estamos promovendo gente interna e com isso abrindo oportunidade para outras pessoas ingressarem na Vale, fazendo assim um mix de pessoas experientes e novas. Já tem uma equipe de aproximadamente 100 profissionais preparados para os cargos mais técnicos, montando os procedimentos de operação. Ao longo do tempo a gente vai continuar estas contratações.
 
Quais as expectativas para o futuro da mineração em Itabira? O Cauê também receberá investimentos…
Foi aprovado pelo Conselho da Vale o projeto de adaptação da atual usina do Cauê, preparando ela para o itabirito compacto. O valor total do investimento é da ordem de R$ 3 bilhões, uma dimensão muito parecida com o de Conceição. Vamos ter cerca de 5 mil pessoas trabalhando no pico da obra, na mesma proporção do contrato atual, ou seja: a montagem eletromecânica e construção civil serão terceirizadas.
 
Para operação não temos exatamente o número [de profissionais necessários] ainda, mas vamos fazer o mesmo programa que fizemos para o Conceição-Itabiritos, que é o Programa de Preparação para o Mercado de Trabalho (PPMT). Só que com uma grande diferença: o programa atenderá também a outras áreas, com comércio e serviço. Estamos vendo a carência do município, causada, em parte, pelos projetos da Vale. Muita gente veio trabalhar conosco e a cidade acabou ficando sem mão de obra. O PPMT vai atender estas áreas.
 
As obras de readequação da usina Cauê têm previsão para começar quando?
A gente deve iniciar em 2013. Estamos agora na fase de construção de escritórios, mas a obra efetivamente deve começar no ano que vem, com previsão de conclusão para meados de 215. Serão duas coisas: algumas modificações na usina atual e construção de um novo prédio para o processo de moagem do itabirito duro. Com este projeto, será possível trabalhar pelos próximos 25 ou 30 anos de maneira muito tranquila.
 
Sobre a relação da empresa com a comunidade, como anda o processo de compra de casas na Vila Paciência?
Tivemos alguns problemas internos com relação à aquisição de áreas, mas não só em Itabira. Paralisamos durante um período, mas retomamos agora. Conseguimos fechar negociação com mais sete casas nos meses de junho e julho, após um ano de paralisação. Houve uma orientação [da direção da empresa] para segurar no Brasil todo o processo de aquisição de novas áreas. Nossa intenção é colocar velocidade a este processo a partir de agora e concluir tudo no próximo ano. Do total ainda faltam 48, mas boa parte já está negociada.
 
Sobre o projeto do aeroporto em Itabira. A empresa tem interesse em ser parceria?
Não temos tratado desde assunto, mas acho que as demandas que são da cidade, não só do aeroporto, a gente tem participado, a partir do momento que há uma coisa estruturada. Não sabemos sobre este projeto. Da Vale, não há uma demanda operacional.
 
Como a Vale tem participado das discussões sobre a diversificação econômica de Itabira?
Itabira tem de procurar novas alternativas para não ficar dependendo só da mineração. A gente está apoiando muito nesta questão, como os investimentos na Unifei. Vamos participar também do Fórum de Desenvolvimento da Acita como uma parte atuante. Reconhecemos que a principal empresa da região não pode se furtar de participar destas discussões e contribuir para a diversificação econômica do município.
 
Sobre a Unifei, o Conselho da Vale aprovou o segundo aporte de recursos para conclusão dos laboratórios. Serão mais R$ 10 milhões para este ano e R$ 13 milhões para o ano que vem. Um investimento total de R$ 38 milhões.
 
Além da Unifei, que é de nível superior, a gente está trazendo para a Itabira também um projeto da Fundação Vale para o ensino fundamental. Este convênio já foi assinado com a prefeitura em junho. A ideia é preparar professores, focando a educação básica. Educação é a base de qualquer sociedade.