Mais de 100 autores de violência doméstica foram incluídos em grupos reflexivos em Itabira
Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (25), durante a abertura oficial da campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”

Desde maio, 101 homens foram incluídos no programa “Itabira por Eles”, em Itabira, no qual autores de violência doméstica e que já respondem à Lei Maria da Penha fazem parte de grupos reflexivos, dirigidos por psicólogas e assistente social. O programa acontece através de um termo de cooperação técnica entre o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e o município.
Dos 101 participantes, 17 homens já concluíram o ciclo; 26 não compareceram as palestras e 3 abandonaram o projeto. O ciclo é considerado concluído quando o homem comparece a 16 encontros. O retorno tem sido surpreendente, segundo a juíza da 2ª Vara Criminal e de Execuções Penais, Cibele Mourão Barroso de Figueiredo Oliveira . Inclusive, um dos 17 homens que concluíram o projeto manifestou o desejo de continuar participando do programa.
“Sempre defendi a ideia que os homens precisam ser trabalhados. Nós não conseguiremos acabar com a violência doméstica sem uma efetiva luta com os homens. Não apenas deve-se empoderar as mulheres, mas conscientizar os homens e os meninos para que a realidade mude e a transformação social aconteça. Estou muito feliz de ter insistido, acho que realmente valeu a pena”, declarou a juíza.
A execução do projeto “Itabira por Eles” é acompanhado pela Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual e Doméstica. O projeto funciona no Fórum Desembargador Drumond. Dezesseis oficinas semanais são realizadas, com duração de 1h30 cada. Cada grupo tem entre 15 e 20 homens, autores de violência contra mulheres.
Cibele Mourão comentou sobre a mudança de comportamento dos homens que participam dos grupos reflexivos. Entrevistas com os agressores são realizadas quando eles iniciam e concluem o projeto para saber a evolução dos participantes. No primeiro dia que participou do grupo um homem disse: “Qual homem que vai aceitar uma traição? Eu não aceito. Eu parto pra cima mesmo. A mulher precisa ser invocada para uma reflexão”.
Outro homem que participou do “Itabira por Eles” afirmou: “Tem feminicídio porque o homem quer que a mulher obedeça igual ela obedecia antes. Hoje a mulher quer responder e medir força com a palavra. Eu acho que é por isso que ela morre”. De acordo com a juíza, depois dos 16 encontros, esses dois homens mudaram o discurso. Um deles disse:
“Mudei muito depois do projeto. Principalmente, depois de ouvir várias pessoas. Antes, se eu tinha problema com alguém já corria para o mato para esperar o desafeto passar. Hoje, eu penso muito se fale a pena o que estou ouvindo. Minha esposa fazia muito isso. Falava que eu não era homem e aí eu queria provar pra ela que eu era sim. Mas isso é machismo. Se vocês chegarem lá em casa e falarem que vocês é quem fazem esse negócio aqui, eles vão bater palma para equipe e perguntar: como é que vocês amansaram esse bicho?”.
Os 16 dias de ativismo acontece até o dia 10 de dezembro. Seu slogan é “Homens pelo fim da violência contra a mulher” e seu símbolo é o laço branco. Clique aqui e confira a programação completa.




