Mais uma vez, Hospital Margarida pode fechar as portas por crise financeira
Caso envolve ainda nota de repúdio contra vereador e desencontro de informações sobre valores de dívida do Estado
O Hospital Margarida corre risco, mais uma vez, de fechar as portas. Conforme declarado pelo provedor da casa de saúde, José Roberto Fernandes, com exclusividade à DeFato, caso o Margarida não receba até a próxima semana pelo menos R$500 mil referente à dívidas de governos e convênios de saúde, o hospital não terá condições de manter o atendimento. A maior parte da dívida é referente ao Governo Estadual

Ainda segundo José Roberto, o hospital tem a receber cerca de R$7.026.862,09 de fornecedores. Este valor foi inclusive repassado aos vereadores membros da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Conforme relatório, os fornecedores em débito com o hospital são convênios de saúde, que somam R$188.840,20 em dívidas; R$909.999,96, de subvenções federais; R$5.906.121,17 de subvenções estaduais e R$14.102,00 de subvenções municipais, dívida essa que não é da cidade de João Monlevade, mas sim de outros dois municípios do Médio Piracicaba. Importante destacar que dentro das subvenções estaduais e federais constam emendas parlamentares de sete deputados. Além disso, há uma dívida de uma pessoa junto ao Margarida no valor de R$7.798,76.
Desencontro de informações
O relatório mostra que o maior devedor do Hospital Margarida é o Governo do Estado. O montante a ser pago é referente aos programas Rede Resposta e Pró Hosp. Somente estes valores somam R$4.915.644,37 segundo relatório do hospital. José Roberto afirmou ainda à DeFato que a dívida é a soma referente a 2016, 2017, 2018 e 2019.
No entanto, neste quesito há um desencontro de informações. Isso porque durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, que aconteceu na tarde desta terça-feira (8), representantes da Prefeitura responderam ao vereador Belmar Diniz (PT), que o Governo do Estado está em dia com o repasse dos dois convênios citados, referente a 2019. A reportagem então questionou ao provedor se haveria dívidas do Estado com o hospital em 2019. José Roberto foi categórico em afirmar que sim. “Esse povo fala sem a informação precisa”, declarou José Roberto.
Nota de repúdio

Ainda durante esta terça-feira, o Hospital Margarida encaminhou à imprensa uma nota de repúdio ao vereador Guilherme Nasser (PSDB). Isso porque foi Guilherme que, durante reunião na última semana, denunciou atrasos nos pagamentos dos médicos que atendem na casa de saúde.
O documento é assinado por José Roberto. Este afirma que Guilherme não vai ao hospital há quatro anos e que não procurou a casa de saúde para inteirar-se sobre o não pagamento aos médicos. José Roberto justifica que priorizou a compra de insumos e medicamentos para garantir atendimento no Margarida, por isso o atraso aos médicos. O provedor ainda acusa Nasser de fazer politicagem com o hospital.
O vereador deve responder à nota nesta quarta-feira (9), durante reunião da Câmara Municipal. Contudo, ele já adiantou na última semana que o fato de não ir ao hospital não o impede de ter acesso a informações e que exerce de forma respeitosa e sem politicagem o seu mandato.




