Manifestação contra a Vale fecha rodovia entre Mariana e Ouro Preto

Comunidade de Antônio Pereira cobra explicações à Vale sobre retirada imediata de 38 famílias próximo à barragem Doutor, na Mina de Timbopeba; Não há previsão para liberação da pista

Manifestação contra a Vale fecha rodovia entre Mariana e Ouro Preto
Manifestação impede a passagem de carros ligados à Vale

Moradores de Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, fecharam a MG-129, no km 129, próximo a Mariana nesta sexta-feira (21). A manifestação contra a Vale cobra explicações da mineradora sobre a retirada imediata de 38 famílias que moram próximo à barragem Doutor, na Mina de Timbopeba. Os participantes do movimento impedem a passagem de carros ligados à mineradora e exigem a presença da gerência do complexo. Não há previsão para liberação da pista.

De acordo com responsável pelo Sindicato Metabase Inconfidentes em Mariana, Alair Rosa da Cunha, em audiência pública realizada no dia 13 deste mês, a Vale informou aos moradores do distrito que já se preparavam para começar o processo de descomissionamento da barragem Doutor, sendo necessária a retirada imediata de 38 família, cerca de 170 pessoas. 

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“A Vale não preparou um plano de remanejamento. Apenas informou que essas famílias seriam levadas para hotéis. O processo de descomissionamento demora de cinco a nove anos. Essas pessoas não podem sair de suas casas para serem levadas para um quarto. Eles [moradores] querem explicações claras da empresa, além de serem levados para casa, juntamente com seus animais de estimação”, argumentou Alair.

Área de risco próximo à barragem Doutor

Para que a rodovia seja totalmente liberada, os manifestantes exigem a presença da gerência geral do complexo de Timbopeba, para que possam se reunir no espaço do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e discutir o futuro dos moradores da área de risco. Não há previsão para o encerramento da manifestação.

Entenda

A barragem Doutor está em nível 1 de risco de acordo com o Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). Desde 2019 a estrutura não recebe mais rejeitos da empresa. Segundo classificação da Agência Nacional de Mineração (ANM), a Barragem Doutor foi construída por alteamento a montante. É o mesmo método associado às duas barragens que romperam no estado: Fundão (2015) e Córrego do Feijão (2019).

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