Manifestação indígena por reparação de danos mantém trem Vitória-Minas sem previsão de retorno; saiba mais

A Vale informou que a paralisação ocorre por questões de segurança e que o serviço seguirá interrompido enquanto a ferrovia estiver bloqueada

Manifestação indígena por reparação de danos mantém trem Vitória-Minas sem previsão de retorno; saiba mais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Famílias indígenas das etnias Tupiniquim e Guarani mantêm a ocupação de um trecho da Estrada de Ferro Vitória à Minas (EFVM), em Resplendor, no Vale do Rio Doce, como forma de pressionar por reparação integral dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015. O protesto teve início no último sábado (21) e, segundo as lideranças, não há previsão de desocupação enquanto não houver avanço concreto nas negociações. 

Os manifestantes afirmam que comunidades tradicionais seguem excluídas dos processos de indenização e das políticas de reparação, mesmo após mais de dez anos do desastre. De acordo com os indígenas, cerca de 1.600 pessoas não foram reconhecidas como atingidas, o que motivou a mobilização. Eles cobram inclusão nos programas compensatórios e maior participação nas decisões relacionadas às medidas de reparação.

Por causa da ocupação, a Vale mantém suspensa a circulação do trem de passageiros Vitória-Minas. A empresa informou que a paralisação ocorre por questões de segurança e que o serviço seguirá interrompido enquanto a ferrovia estiver bloqueada. Desta forma, ainda não há previsão de retomada.

A mineradora Vale comunicou que está em diálogo com os manifestantes e afirmou que cumpre os termos do acordo de reparação firmado após o desastre de Mariana. A empresa orienta que passageiros que já possuem bilhetes entrem em contato pelos canais oficiais para remarcação ou reembolso.

Protesto afeta viagens e transporte de combustíveis 

Embora o foco do protesto seja a reparação, a interrupção da ferrovia acaba gerando reflexos indiretos, como o atraso no transporte de passageiros, cargas e combustíveis. Segundo informações, De acordo com a Itatiaia, desde o início da paralisação, cerca de 11,5 mil passageiros deixaram de ser transportados entre Belo Horizonte (MG) e Cariacica (ES). 

A suspensão das viagens também causa impactos em setores como siderurgia, celulose, grãos, fertilizantes e no abastecimento de combustíveis. Cerca de 1 milhão de litros de diesel deixaram de ser distribuídos no período.