A inauguração da nova Farmácia Municipal Central “Maria Higina”, realizada nesta quarta-feira (1º), em Itabira, também foi marcada por uma manifestação silenciosa e pacífica de servidores públicos municipais. O ato ocorreu em meio às negociações salariais da categoria com o Executivo e dias após outro protesto registrado durante a entrega da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Campestre, no último sábado (28).
Durante a cerimônia desta quarta, o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) se dirigiu diretamente aos servidores presentes, reconhecendo o direito à mobilização, mas negando as denúncias de agressão feitas pela presidente do Sintsepmi, Graziele Vieira Cachapuz. A líder sindicalista afirma que teriam ocorrido agressões físicas e verbais praticadas por “comissionados puros” da administração durante a inauguração da UBS Campestre.
Segundo Marco Lage, o momento é de diálogo. “Embora tenham dito que houve agressão na última vez, não é verdade. Mas é uma manifestação pacífica. Eu sempre digo isso e tenho certeza que a gente vai chegar a um acordo em breve, que será bom para todos nós”, afirmou.
O chefe do Executivo também disse que a administração ainda está analisando a pauta apresentada pelo sindicato e afirmou que sua gestão busca a valorização do funcionalismo.
“Valorizar o servidor público é valorizar o serviço público. Não adianta só a gente construir bons prédios, [ter] bons equipamentos, se a gente também não investir naquilo que é essencial para o serviço público funcionar bem, que é capacitar o servidor, valorizar o servidor, dar perspectivas para eles, para que eles trabalhem felizes, saiam de casa felizes todos os dias”, declarou.
Notificação extrajudicial
Diante das acusações de agressão, a Prefeitura de Itabira notificou extrajudicialmente a dirigente sindical, solicitando que, no prazo de 48 horas, fossem apresentados elementos concretos que comprovem as alegações, como identificação de vítimas, testemunhas e descrição das circunstâncias. Caso não haja comprovação, o Município pede retratação pública formal pelos mesmos meios em que as declarações foram feitas.
Acordo Coletivo
Atualmente, a proposta da prefeitura prevê reajuste salarial de 3,9%, índice que foi rejeitado pela categoria. Os servidores reivindicam aumento de 6,79%, mas indicam a possibilidade de escalonamento: 4,26% imediatos, com base no IPCA, e os 2,53% restantes até o fim de 2026. Além do reajuste, os servidores querem o retorno integral do cartão-alimentação no valor de R$470,01 para todos os servidores, a retomada do subsídio ao plano de saúde e o cumprimento de compromissos relacionados ao Plano de Cargos e Salários (PCCS). Devido a medidas de contingenciamento adotadas desde 2025, o benefício alimentação é pago integralmente apenas a servidores com salários de até R$ 4.517,22, sendo reduzido para faixas superiores e inexistente para quem recebe acima de R$ 9 mil.

