Marcello Oliveira é condenado a 17 anos de prisão

Marcello Oliveira, acusado de matar a ex-mulher Polyanna Carolina da Silva Barbosa Lopes com 18 facadas, foi condenado a 17 anos de prisão. O julgamento ocorreu durante a tarde e o início da noite desta terça-feira, 19 de abril, sob olhares atentos de centenas de pessoas que lotaram o plenário da Câmara de Itabira. No […]

Marcello Oliveira é condenado a 17 anos de prisão

Marcello Oliveira, acusado de matar a ex-mulher Polyanna Carolina da Silva Barbosa Lopes com 18 facadas, foi condenado a 17 anos de prisão. O julgamento ocorreu durante a tarde e o início da noite desta terça-feira, 19 de abril, sob olhares atentos de centenas de pessoas que lotaram o plenário da Câmara de Itabira. No final, a família mostrou indignação com a sentença proferida pelo juiz Ronaldo Vasques, coordenador do júri popular de sete pessoas da comunidade. A principal reclamação é  que a progressão de pena vai permitir que Marcello vá para o regime semi-aberto depois de cinco anos.


O Ministério Público (MP) queria a condenação por homicídio consumado triplamente qualificado: dissimulação e meio que dificulta a defesa da vítima, vingança e meio cruel. Somente a sentença pelo assassinato já daria uma pena de 13 anos ao réu. Os agravantes poderiam fazer que os anos de cadeia chegassem a 30. Dessa forma, a tarefa dos advogados de defesa era atenuar os agravantes, para diminuir o peso da sentença.

 

Pai e Marcello falam

As únicas duas pessoas ouvidas no julgamento foram o pai de Polyanna, Wilton Barbosa, e o próprio réu. O primeiro comentou os depoimentos que havia prestado à Polícia durante a fase de investigação e disse que o acusado “é um lobo em pele de cordeiro”. Isso porque, segundo o homem, Marcello, para buscar a reaproximação de sua filha depois de separados, comprou presentes, fez mimos e se mostrou uma pessoa carinhosa.

Wilton se emocionou algumas vezes durante o depoimento, mas chorou mais quando falou de seu neto, o pequeno Natan, de cinco anos, que diz sentir muita falta da mãe. “Ele diz que sente uma dor no coração”, falou, emocionando os familiares e as pessoas que assistiam o júri.

Já Marcello falou em arrependimento. Perguntado pelo advogado de defesa se estava arrependido, respondeu: "Claro que estou arrependido. Perdi o contato com meu filho e manchei o nome da minha família”, afirmou.

Julgamento

O promotor Francisco Santiago, de Belo Horizonte, foi o primeiro a falar. Durante uma hora e meia, o representante de MP tentou convencer os jurados de que a pena ideal seria a máxima. O promotor mostrou as fotos do dia do assassinato e deu ênfase ao emocional, voltando-se, a todo o momento, às mulheres do corpo do júri, que eram cinco. Francisco ainda argumentou que os homens se acham superiores às mulheres e ainda as vêem como escravas ou objetos. Ele citou frases de Carlos Drummond de Andrade e terminou com um trecho de uma música de Gonzaguinha. “Marcello, a vida é bonita, é bonita e é bonita”, enfatizou.

Logo após, a defesa de Marcello teve o mesmo tempo para seus argumentos. Willian Mendes e Sílvio de Alvarenga tentaram se basear nos bons precedentes do réu. Foram lidos vários depoimentos de amigos e familiares dele, que sempre afirmavam que ele não tinha envolvimentos com drogas, era ligado à família e tinha bom comportamento. A defesa ainda falou que ele não planejou o crime, como a promotoria descrevia nos altos do processo. Wiliam disse que “dentro de Marcello existe coração, existe paixão. Ele não pode ser crucificado, não pode ser visto como uma pessoa perigosa”, afirmou. Os advogados ainda taxaram de tentativa de vingança a aplicação de uma pena muito alta.

Na réplica, de 30 minutos, o promotor ironizou as colocações da defesa. “Querem colocar o Marcello como um homem bom, mas não se espera de uma pessoa de bem que dê 18 facadas em uma mulher”, afirmou. Depois, Francisco Santiago criticou outro argumento. “Chamam de vingança as qualificações que o Código Penal estipula. Ironizam a lei que eles próprios defendem”, disse.

Os advogados voltaram, também em 30 minutos, e rebateram o que foi dito pelo promotor. Willian Mendes tornou dizer que o crime de Marcello foi cometido por uma motivação especial, que ele não era uma pessoa má e que não poderia ficar muito tempo na cadeia. “Ninguém aqui pode dizer que nunca vai matar uma pessoa. A gente não pode ter a certeza absoluta disso”, exclamou.

Juiz repreende advogados

O juiz criminal Ronaldo Vasques repreendeu os advogados de defesa de Marcello depois que as partes terminaram os argumentos. Ele considerou irregular que os profissionais tentassem desqualificar o depoimento de uma amiga de Polyanna, que foi feito durante a instrução de julgamento, no início do ano. “Fui eu quem a ouvi. Sou muito ético nas coisas que faço e não posso deixar isso passar, senão fica a impressão de que não faço direito o meu trabalho. Quando ela fez o depoimento, os advogados de defesa estavam lá e ninguém pediu para que ele fosse anulado”, afirmou.

Sentença

A sentença saiu às 19h54 . Os jurados acataram a acusação de homicídio doloso consumado e todas as qualificantes propostas pelo Ministério Público. Porém, como o réu é primário e possui bons antecedentes, a pena não foi máxima.

Em suas considerações finais, o juiz Ronaldo Vasques disse que estava de bom tamanho e que essa sentença significaria um pedido para que a violência acabe em Itabira. “Chega de achar que um pai pode matar um filho, um filho pode matar o pai, um marido pode matar uma mulher ou vice-versa. Nós precisamos parar. Está na hora de acabar com esse tipo de violência em nossa cidade”, afirmou.

Na saída do julgamento, o promotor Francisco Santiago seguiu a linha do que foi dito pelo juiz. Para ele, a sentença também reflete como um exemplo de que a justiça de Itabira pune quem vai contra ela.

Já os advogados de Marcello não saíram satisfeitos. Segundo Silvio Alvarenga, a expectativa é de que ele pegasse, no máximo, 14 anos de cadeia. Apesar disso, eles não vão recorrer. “Entendemos que não é um caso reversível”, disse.

Indignação

A família de Polyanna ficou indignada com o resultado. O pai dela criticou a sentença e afirmou que não existe justiça no Brasil. Do lado de fora da Câmara, familiares gritavam muito, principalmente no momento em que a viatura que levava Marcello deixou a Câmara. Um parente mais exaltado correu para a rua e deu um tapa no veículo do carro da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi).

“Não pegou nem um ano para cada facada que deu. É um absurdo”, gritava uma tia. “O que nos deixa indignado é que daqui a cinco anos ele já estará nas ruas, convivendo com a gente”, criticou Wilton Barbosa, pai de Polyanna.

 

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