Marcelo Barreto: o craque das notícias esportivas
Marcelo Barreto no estádio Soccer City, durante a Copa da África do Sul
Quem acompanha a TV por assinatura e adora esporte conhece muito bem o mineiro Marcelo Barreto, de 43 anos, que nasceu em Bicas (cidade na Zona da Mata), situada a 290 km de Horizonte. Guilhermino
Atual editor-chefe e âncora do telejornal noturno SporTV News (da emissora do Rio de Janeiro SporTV), canal dedicado ao mundo esportivo, o jornalista, formado pela PUC-MG em 1989, lembra com orgulho o dia da sua colação de grau – 8 de julho de 1990 – data da final da Copa da Itália (Para refrescar a memória, a Alemanha Ocidental sagrou-se tricampeã naquele ano em cima da nossa eterna rival Argentina. E o Brasil… bom, vamos esquecer).
Tal fato já apontava para o caminho que Marcelo Barreto seguiria em sua carreira. Este ano, ele comemora 20 anos de jornalismo esportivo. Casado em 1991 com Simone, de 38 anos, com quem tem o casal de filhos Nina (8) e Pedro (3), o jornalista lembra na entrevista a seguir a passagem por João Monlevade, onde conseguiu o seu primeiro emprego. Ele também conta como é participar da cobertura de eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. E muito mais… faz análise sobre a situação administrativa dos principais times mineiros, fala de Ronaldo Fenômeno e ainda aponta seus ídolos. Conheça mais um pouco desse craque das notícias!
Atualmente você é o editor-chefe e âncora do telejornal SporTV News. Foi difícil chegar até aqui?
Nenhuma carreira é fácil. Quando cheguei à TV Globo, tinha dez anos de experiência em jornal, internet e revista. Mas tive de aprender a trabalhar num novo veículo. Fui editor de texto, repórter, implantei o núcleo de produção do SporTV e só então virei apresentador e comentarista. Minha função atual junta duas pontas da minha carreira: o trabalho no vídeo e um cargo de chefia. É um desafio interessante.
Em seu blog (http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto), há um texto, postado no dia 17 de janeiro deste ano, no qual você menciona seus 20 anos de chegada ao Rio de Janeiro. Lá, também, o internauta fica sabendo de sua primeira experiência como jornalista, quando passou pela Prefeitura de João Monlevade. Fale um pouco deste momento da sua vida.
Quando terminei meus créditos na PUC, no primeiro semestre de 1989, tinha acabado de sair um daqueles planos econômicos que abalavam o Brasil. Já nem me lembro do nome, talvez fosse o Plano Bresser. Os jornais de Belo Horizonte estavam demitindo, não havia vagas. O professor José Milton, orientador do meu projeto de conclusão de curso, era ligado ao PT e me ofereceu a vaga. Nunca fui filiado, mas votava em candidatos do partido. Não havia muitas prefeituras petistas na época, achei que seria uma experiência muito rica para o começo da carreira. E foi.
Quanto tempo ficou no emprego? Gostou de trabalhar numa assessoria de comunicação? Deixou amigos na cidade?
Foram apenas quatro meses. Em um trabalho pela Prefeitura, enviei um texto para a sucursal do jornal Hoje em Dia em Governador Valadares. A editora gostou e pouco depois surgiu uma vaga. Ela me convidou e resolvi experimentar o trabalho em jornal, porque minha motivação sempre foi escrever. Trabalhar na assessoria exigiu muito da minha criatividade: fiz programa de rádio, bolei folhetos e cartazes, fotografei, enfim, eram muitas atividades diferentes. Quando cheguei à cidade, a Prefeitura estava às voltas com uma greve de ônibus, foi um desafio lidar com um tema delicado logo de cara. Tenho ótimas lembranças. Morei no centro da cidade, dividindo apartamento com o Edson, jornalista que também trabalhava na assessoria. Fiz parte de um grupo de pelada do pessoal da Prefeitura. Mas foi uma passagem rápida.
Nesses 20 anos, você voltou alguma vez a Monlevade?
Não voltei. Sua pergunta me fez acessar o site da Prefeitura para ver se a cidade está muito diferente do que eu me lembrava. Achei bem parecida.
Hoje, você trabalha para um canal de TV voltado para o esporte. Como é se dedicar em tempo integral ao mundo esportivo?
Já não sei mais como é trabalhar em outra área. São quase 20 anos de jornalismo esportivo, que começaram com uma escolha meio aleatória (tinha de escolher uma área para o estágio em O Globo e marquei o X no Esporte). É um mundo muito envolvente, que faz parte da vida das pessoas e é levado mais a sério do que outras áreas que deveriam ser mais importantes. Acho fascinante.
De todos os esportes, qual é o seu favorito?
O futebol no Brasil é hors concours, não é? Fora dele, é o basquete, que cobri no começo da carreira. Cobri o título mundial da seleção feminina na Austrália, foi inesquecível. Mas gosto de tudo. Nas últimas Olimpíadas, vi provas de badminton, tênis de mesa, levantamento de peso, esgrima, canoagem, ciclismo…
No futebol, qual é o seu time de coração?
O Esporte Clube Biquense, time da minha cidade que teve meu pai e meu padrinho entre os grandes jogadores de sua história.
Faça uma análise sobre os principais times mineiros (Atlético, América e Cruzeiro).
O Cruzeiro vive um momento melhor, colhe os frutos de bons investimentos em estrutura e na base. O Atlético hoje tem uma boa estrutura, a melhor do Brasil segundo um levantamento do SporTV News, mas ainda paga as contas de administrações confusas e precisa de um tempo para voltar ao topo. O América está recomeçando, fez um trabalho sério para voltar à Série A.
Alguma vez pensou em trocar de campo? Largar o jornalismo e investir no esporte?
Só em sonho. Em pensamento, mesmo, não, por pura falta de talento.
Como seria o atleta Marcelo Barreto? Bola murcha ou bola cheia?
Sou um peladeiro mediano. Faço meus golzinhos.
Quantos eventos esportivos de expressão mundial você já cobriu? E como foi estar perto dos melhores em suas categorias?
Estive em três Mundiais de Basquete, duas Olimpíadas, duas Copas das Confederações, duas Copas do Mundo. Estar ao lado dos maiores atletas do mundo faz o jornalista pensar que também é um vencedor na sua profissão.
Houve algum fato marcante em sua carreira que o tenha emocionado?
O momento mais marcante foi apresentar o programa Arena Olímpica durante as Paraolimpíadas de 2004. Descobri ali um mundo novo dentro do esporte.
E a Copa do Mundo de 2014? Em sua opinião, o Brasil está preparado para um evento de tamanha grandiosidade?
No campo esportivo, não tenho dúvidas de que o Brasil vai entregar o que a Fifa pede. A África do Sul, com muito menos recursos, conseguiu. O problema é como vamos entregar: com atrasos, uso de dinheiro público e denúncias de corrupção ou com eficiência, criação de oportunidades e investimento em infraestrutura? É papel da imprensa e da população fiscalizar.
O SporTV já estuda a formação de sua equipe para o evento?
Ainda temos eventos importantes para cobrir antes, mas o planejamento é feito com muita antecedência.
Por falar nisso, quem acompanha o canal por assinatura vê as chamadas para o Passaporte SporTV, que oferece a chance aos recém-formados de trabalhar no exterior na cobertura de vários eventos. Quando surgiu essa ideia?
É um projeto do Raul Costa Júnior, diretor do canal. Assim que assumiu o cargo, há dois anos, ele implantou a ideia, que fez muito sucesso.
Você acredita que essa é uma oportunidade de preparar os jovens talentos para a Copa e Olimpíadas?
É uma oportunidade que eu gostaria de ter tido no início da carreira.
Qual é o maior desafio para quem está começando a carreira de jornalista esportivo?
Aprender a falar com propriedade de um assunto que todo mundo conhece, e que mexe com a emoção de quem lê, ouve ou assiste.
E o seu maior desafio neste momento?
Botar no ar e apresentar um jornal diário de uma hora de duração. Começando tudo do zero todo dia…
Seus filhos seguirão a sua profissão?
Só se quiserem. A criação que eu e minha mulher damos a eles se baseia na liberdade de escolha.
Quem são seus ídolos no esporte? E fora dele?
No esporte, Zico. Na música, Marisa Monte e Jorge Ben.
Em sua opinião, Ronaldo Nazário (Fenômeno) fez certo em decidir pela aposentadoria? Se tivesse que defini-lo em uma palavra…
Não entendo essa mania que nós, jornalistas, temos de decidir quando um jogador tem de se aposentar. Já pensou se eles pudessem fazer o mesmo conosco? Cada um para quando quer, quando acha que é a hora certa. E a palavra para definir o Ronaldo é óbvia demais, mas não dá para escapar dela: fenômeno.
O que você diria sobre o maior atleta do século, o Pelé?
Roubaria uma frase do Drummond: “Difícil não é fazer mil gols, como Pelé; é fazer um gol como Pelé”. Falei com ele ao vivo uma vez, por telefone, apresentando o Redação SporTV, e confessei no fim da entrevista que estava com as mãos suando. O cara é o rei!
Deixe uma mensagem para quem sonha em um dia ser jornalista esportivo.
Para mim, tem sido uma linda jornada. Jornalismo e esporte são uma bela combinação, que, sem dúvida, pode-se e deve-se fazer com amor.