Marco Antônio Lage diz que Itabira precisa transformar riqueza da mineração em oportunidades para as próximas gerações
Prefeito defende diversificação econômica, destaca impactos históricos da atividade mineral e cobra investimentos estruturantes

A mineração foi abordada no discurso do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) durante o Encontro Regional do PDT realizado no sábado (13), em Itabira. Ao abordar o futuro do município, o prefeito defendeu que a riqueza produzida ao longo de décadas de exploração mineral seja convertida em oportunidades capazes de sustentar a economia local após o esgotamento das reservas.
Em sua fala, Marco Antônio Lage afirmou que a principal preocupação deve ser o futuro das novas gerações em uma cidade cuja história sempre esteve ligada à mineração. A declaração resume uma preocupação que permeia o debate público em Itabira: como preparar o município para um cenário em que a atividade minerária deixe de ser a principal força econômica da cidade.
Segundo o prefeito, a resposta passa necessariamente pela diversificação econômica, pela atração de novas empresas e pela criação de condições estruturais capazes de tornar o município competitivo para receber investimentos.
O impacto da mineração sobre a água
Ao falar sobre os desafios deixados pela atividade mineral, Marco Antônio destacou a questão hídrica como um dos principais passivos enfrentados pelo município. Segundo ele, a exploração mineral alterou profundamente a disponibilidade de água na região ao longo das últimas décadas.
“A mineração absorve toda a água, todo o lençol freático, rebaixo do lençol freático. Itabira, que era um manancial de água há 45 anos atrás, vive uma escassez hídrica há mais de 20 anos”, disse.
O prefeito lembrou que a falta de água se tornou um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico local e afirmou que a solução para o abastecimento, que deve acontecer com o fim das obras de captação no Rio Tanque, é fundamental para o futuro da cidade: “indústria nenhuma viria para Itabira sem água”.
Segundo ele, os investimentos na captação de água do Rio Tanque criam as condições necessárias para que o município passe a atrair novos empreendimentos e reduza sua dependência da mineração.
Futuro
Marco Antônio Lage também dedicou parte da sua fala à defesa da duplicação da MG-129 e da MG-434, obra que considera fundamental para o desenvolvimento regional. Segundo o prefeito, a infraestrutura é o principal instrumento para criar novas oportunidades econômicas. “A duplicação das [MGs] 129-434, que liga Itabira até o trevo, é a infraestrutura é que move a economia”, argumentou.
Segundo Marco Antônio, a ligação mais eficiente entre Itabira e a BR-381 pode ampliar a competitividade da região e facilitar a instalação de novas empresas.

Cobrança ao Governo de Minas
O prefeito também fez críticas à participação do Governo de Minas em projetos considerados estratégicos para a região: “Em oito anos, zero. Nada foi trazido, não só para Itabira, para o nosso território”.
Na avaliação de Marco Antônio, a construção do futuro econômico da cidade exige uma atuação conjunta entre município, Governo Federal, Governo do Estado e iniciativa privada.
Ex-prefeito de BH crítica relação com as mineradoras
Alexandre Kalil afirmou que Minas Gerais precisa assumir uma posição mais firme na relação com as empresas do setor. Segundo ele, a mineração é fundamental para a economia mineira, mas o Estado não pode abrir mão de seu papel de fiscalização e de defesa do interesse público. “Nós sabemos a importância das mineradoras. Nós temos a consciência da necessidade das mineradoras nos municípios das minas”, disse.
Na sequência, reforçou: “A mineração vai ser tratada com todo o respeito que merece pelo governador do Estado, mas vai ter que respeitar o governo do Estado”.
O ex-prefeito também argumentou que os municípios que convivem com os impactos da exploração mineral precisam receber uma parcela maior dos benefícios gerados pela atividade. “O que os estados e os municípios precisam se chama imposto, como todo produto se paga”, defendeu.
Para Kalil, a discussão sobre mineração não pode se limitar à geração de empregos e receitas. Ele defendeu que o setor esteja submetido às mesmas regras aplicadas a qualquer atividade econômica e voltou a criticar a condução das políticas públicas voltadas para o setor nos últimos anos.
“Qualquer empresa do mundo, qualquer empresa que esteja no mundo, ela está sob a ordem de um governo que cobra, que toma conta, que não deixe os corruptos invadirem e que ela traga para nós todos o desenvolvimento que nós todos esperamos”, pontuou.

Encontro regional do PDT
O futuro dos municípios mineradores, a relação entre o poder público e as grandes empresas do setor mineral e a situação financeira de Minas Gerais foram os principais temas debatidos durante o Encontro Regional do PDT, realizado na manhã de sábado (13), em Itabira, no bairro Gabiroba.
O evento reuniu lideranças políticas da região e contou com a participação do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e do deputado federal Mário Heringer, ambos pedetistas, além dos vereadores itabiranos da legenda — Carlos Henrique de Oliveira, Jordana Madeira e Elísio Lúcio Martins “Lico do Carmo” —, do prefeito de Itabira Marco Antônio Lage, secretários municipais, dentre outros.




