Marco Lage rebate Mateus Simões e diz que Estado travou duplicação das MG-129 e 434
Lage também afirmou que Prefeitura de Itabira e Vale já haviam se comprometido a aportar recursos para a obra sair do papel. A parte do Governo de Minas, por sua vez, não foi garantida

O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), rebateu as declarações do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), sobre o andamento das negociações para a duplicação das rodovias MG-129 e MG-434, vias de ligação da cidade até o trevo da BR-381. A divergência surgiu ontem (21), após a visita de Simões a Barão de Cocais, onde o governador foi questionado pela DeFato sobre como estavam as tratativas para a duplicação das MGs. Em resposta, ele afirmou que as tratativas estavam suspensas após mudança de postura da Prefeitura de Itabira.
“A gente tinha conversas bem avançadas com a Vale, mas a prefeitura resolveu mudar a forma de tratamento do tema e aí as conversas ficaram suspensas. Eu espero sensibilizar o prefeito da importância da gente construir essas soluções em conjunto. Entrar em conflito na hora que a gente quer construir infraestrutura, é pedir para as obras não acontecerem”, disse Simões.
Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (22), Marco Antônio Lage contestou a versão apresentada por Mateus Simões e afirmou que o governo estadual é o responsável pela falta de avanço no projeto. O chefe do Executivo itabirano já havia dado uma declaração similar, em fevereiro deste ano, durante uma entrevista exclusiva à TV DeFato.
Segundo Marco Lage, ocorreram ao menos seis reuniões sobre o tema, incluindo encontros com o ex-governador Romeu Zema (Novo) e com o próprio Simões, além de tratativas técnicas com a Secretaria de Infraestrutura do Estado. De acordo com o prefeito, a proposta inicial previa a duplicação específica das MG-129 e MG-434, mas o Estado teria ampliado o escopo para incluir outras rodovias, o que dificultou o avanço do projeto.
Marco Lage também reafirmou que a Prefeitura de Itabira e a Vale já haviam se comprometido a aportar recursos, cada uma com cerca de um terço do valor da obra (estimado em mais de R$300 milhões). A parte do Governo de Minas, por sua vez, não estava garantida.
“Não é verdade, nós não mudamos nada. Quem mudou foi o Governo do Estado, que resolveu ampliar o espectro e ampliar para mais rodovias. Queriam um projeto maior e não só a 434-129 para ligar Itabira, que é uma obra fundamental para o nosso futuro, para o futuro da cidade e de toda a região, porque nos aproxima da região metropolitana de Belo Horizonte”, disse Marco Antônio Lage.
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Políticos também apontaram visões distintas sobre mineração
Ainda durante o seu vídeo de resposta, Lage também comentou a fala de Simões sobre o papel da mineração no estado, onde o governador disse que prefere tratar mineradoras como parceiras do desenvolvimento, e “não como adversárias”, desde que respeitadas as regras ambientais. Como resposta, Marco Antônio concordou parcialmente com a ideia de que a atividade deve ser uma alavanca de desenvolvimento, mas disse que o debate vai além da questão ambiental.
O prefeito de Itabira, que também preside a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AmigBR), mencionou temas como direitos trabalhistas e a distribuição de receitas, incluindo críticas à Lei Kandir, que isenta impostos sobre exportação de minério.
“Não é só tema ambiental não, viu, governador? Nós temos vários temas do ponto de vista trabalhista, do ponto de vista da questão dos royalties da mineração. Inclusive, isso é bom para o Estado. O estado de Minas Gerais não estaria devendo tanto, quase R$200 bilhões, se não fosse a desoneração da lei Kandir”, afirmou. Na sequência, o prefeito de Itabira também disse que a cidade mantém uma relação de parceria com a Vale, citando o programa Itabira Sustentável como exemplo de modelo de desenvolvimento em território minerado. Apesar das críticas à Mateus Simões, Marco Antônio ainda sinalizou abertura para retomar o diálogo:
“Governador, o senhor sabe que o senhor é muito bem-vindo a Itabira. Quando quiser sentarmos para discutir com as equipes técnicas sobre esse projeto da duplicação, estamos prontos. Que bom que o senhor está aberto a isso. Eu acho que é o momento de firmar esse compromisso com a população de Itabira e de todos os municípios que passam por aqui para acessar a cidade, a região leste de Minas Gerais”, finalizou.
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Memória
A duplicação das MGs 129 e 434 é um pleito antigo da Prefeitura de Itabira. Em 2019, no governo do ex-prefeito Ronaldo Lage Magalhães, foi firmado junto ao DER-MG o convênio 30.018/19, quando ficou definido que o Executivo local ficaria responsável por desenvolver o projeto executivo da obra a um custo aproximado de R$ 3 milhões. Desde 2021, já na gestão do prefeito Marco Antônio Lage, novas reuniões com o Governo de Minas Gerais têm sido realizadas para viabilizar a obra. Em agosto daquele ano, após mais uma rodada de conversas, o governador Romeu Zema (Novo) chegou a se comprometer com o empreendimento.
Em novembro de 2021, Prefeitura de Itabira e DER-MG assinaram um novo convênio para elaboração do projeto executivo de duplicação das rodovias MG-434 e MG-129. À época, foi divulgado que esse processo poderia ser licitado e executado ao longo de 2022 — com possibilidade de que as obras ficassem aptas para serem iniciadas no primeiro trimestre de 2023, o que dependeria da viabilização de recursos financeiros.
Em junho de 2023, Romeu Zema, durante visita a Bom Jesus do Amparo, sinalizou que a duplicação das MGs 434 e 129 não seria executada com recursos estaduais. Dessa forma, a parceria público-privada se torna o melhor caminho para o empreendimento, que deve contar com aportes da mineradora Vale.




