Mas, o que é essa tal diversificação econômica?

A tal diversificação econômica virou medicamento para todos os males

Mas, o que é essa tal diversificação econômica?
Foto: Divulgação/Vale
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Uma circunstância parece surreal. A tal diversificação econômica virou medicamento para todos os males. Esta constatação remete a uma cena urbana, bem característica da Belo Horizonte, na década de 1970. Naquela época, todos os dias, uma pequena multidão se aglomerava na Praça Rio Branco, bem defronte da Rodoviária. Ali, homens, mulheres, crianças e cachorros assistiam às apresentações dos fabricantes de remédios caseiros. Os tradicionais raizeiros vendiam poções milagrosas para todas as enfermidades (do corpo e da alma). As ervas curavam perebas, cafubira, frieiras, espinhela caída, encosto, gonorreia e até tumores malignos.  Incômodo algum escapava da eficácia das panaceias.

A tal diversificação econômica também age no organismo social com a mesma eficiência da mistura dos homens das infusões. Itabira, porém, ainda não experimentou a solução da regeneração socioeconômica. O ervanário da Praça da Rodoviária de BH era manipulado por “profissionais habilidosos”, inclusive na lorota. E como funcionaria a droga da multiplicação da economia? Nenhum mago consegue revelar a serventia deste trem. Ela (a tal diversificação) é complexa magia ou mera embromação sociolinguística? A dúvida persiste.

O tempo, enquanto isso, passa na velocidade de cometa errante. Até quando Itabira esperará pelo “chá milagroso”? Continuo na minha teimosa insistência. Caminho pelas ruas da cidade com a lanterna de Diógenes. Perambulo à procura da verdadeira diversificação econômica. Mas, repito a irritante indagação: o que é esse troço? Assumo a minha constrangedora ignorância e admito nada saber a respeito. Conservo, neste aspecto, um comportamento socrático.

Explicaram-me que a diversificação econômica é o principal preparado contra os efeitos colaterais do fim da extração mineral. Sei não. A exaustão dos recursos naturais é realidade de há muito tempo. Só não vê quem não tem olhos para ver. A comprovação da fatalidade, no entanto, está na cara.   Montanhas esburacadas e barragens zumbis são personagens típicas dos contos de ex- minerações. Até minas abandonadas já ilustram a perturbadora paisagem itabirana. É puro engenho de fogo morto.

A conversa anda muito exaustiva. Recentemente, a Vale garantiu que permanecerá em Mato Dentro por mais 19 anos. O diagnóstico espetacular é tentativa de prorrogar a agonia de paciente em estágio terminal. O que a mineradora fará na “cidadezinha qualquer” por quase duas décadas? Nada de útil resta no subsolo local. Então, a exploradora de hematita (e itabirito) vai cavoucar para quê?

Veja a síntese do triste fim do eldorado drummondiano: “500 bilhões de toneladas de minério de ferro-com prazo de validade para até 500 séculos”- viraram literalmente pó em apenas oito décadas. Itabira corre sério risco de se transformar numa nova Potosí. Talvez nem chegue a tanto.  A messiânica diversificação econômica evitará o caos maior.

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

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