Mateus Simões assume governo de Minas e propõe “capitais transitórias” no interior

Novo governador propõe levar sede administrativa ao interior e reforça continuidade com foco em investimentos e presença regional

Mateus Simões assume governo de Minas e propõe “capitais transitórias” no interior
Plenário Juscelino Kubitschek/ALMG Foto: Felipe Repolês

A posse de Mateus Simões(PSD) como novo governador de Minas Gerais, neste domingo (22), marca uma transição relevante no comando do Executivo estadual. A cerimônia, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, oficializou a saída de Romeu Zema(Novo), que deixou o cargo para cumprir a regra de desincompatibilização eleitoral.

Até então vice-governador, Simões assume definitivamente o posto em um momento estratégico, já que também se posiciona como pré-candidato à reeleição, buscando manter a continuidade do grupo político que governa o estado desde 2019.

Primeiro discurso mistura emoção, trajetória pessoal e recados políticos

Logo no início do pronunciamento, Simões adotou um tom pessoal e simbólico ao destacar sua trajetória de vida:

“Assumir o governo de Minas Gerais é uma honra para qualquer pessoa. Para um menino que saiu da fazenda com 14 anos de idade, órfão de pai e mãe, 30 anos depois, estar na frente desse palácio é muito mais do que eu podia ter imaginado.”

Em outro momento, reforçou a relação com o antecessor e a continuidade administrativa:

“Eu tenho o orgulho e uma honra enorme em receber a tarefa dada a mim pelo governador Romeu Zema de conduzir o governo do Estado daqui em diante.”

E completou, ao falar sobre legado:

“Eu recebi duas heranças na vida, e não estou falando do dinheiro, estou falando do legado. Uma dos meus pais e agora do governador Romeu Zema, e eu sou muito grato por ambas.”

“Capitais transitórias”: proposta aposta na descentralização

Um dos principais anúncios do novo governador foi a criação das chamadas “capitais transitórias”, proposta que pretende descentralizar a gestão estadual.

“A partir da próxima quarta-feira, sair de Belo Horizonte e passar os próximos cem dias no interior, rodando cada uma das dezesseis regiões do Estado, com transferência da capital para cada uma dessas regiões.”

A iniciativa prevê que a estrutura administrativa do governo seja levada temporariamente para cidades-polo do interior, com o objetivo de ampliar a presença institucional e fortalecer o diálogo com prefeitos e lideranças locais.

Oitenta por cento da população mora no interior e o interior não pode ser visto à distância.”

Continuidade com foco em investimentos

Simões destacou que assume um estado em melhores condições fiscais em comparação a 2019, reforçando o discurso de continuidade:

“O Estado que eu estou recebendo é completamente diferente daquele que o governador recebeu em 2019, um Estado com as contas equilibradas, com condição de falar em investimento.”

Ele também citou obras em andamento e projetos estruturantes:

Temos obras que vão ser inauguradas ao longo desse ano, como os nossos últimos três hospitais regionais e as primeiras estações da linha 2 do metrô.”

Além disso, mencionou investimentos de longo prazo:

“Estamos falando de 11 bilhões de reais de investimento em saneamento e drenagem.”

Prioridades: saúde, educação e segurança pública

Na área da saúde, o governador anunciou foco na atenção básica e apoio direto aos municípios:

“Eu tenho um compromisso pessoal com os prefeitos de sustentação de postos de saúde do estado… cerca de 300 postos de saúde ainda são necessários.”

Já na segurança pública, adotou um discurso mais duro:

“Em Minas Gerais, quem tem direito de usar a força é só a polícia. Qualquer bandido que tentar atuar aqui vai ser caçado e expulso.”

Simões também ressaltou o reforço no efetivo policial:

“Neste momento, 3 mil soldados da Polícia Militar estão em formação. É a maior turma da história.”

Ritos institucionais e presença de autoridades

A solenidade seguiu os protocolos oficiais, com recepção por guarda de honra dos Dragões da Inconfidência, entrega da declaração de bens e juramento constitucional. A posse reuniu autoridades dos três poderes, além de lideranças políticas estaduais e nacionais.

Desafio: imprimir marca própria em meio à continuidade

Aos 45 anos, advogado e servidor concursado da Assembleia Legislativa, Simões construiu sua trajetória política a partir de 2017, ganhando projeção ao assumir a Secretaria-Geral do governo e, posteriormente, a vice-governadoria.

Agora à frente do Executivo, ele terá o desafio de equilibrar a continuidade administrativa com a construção de uma identidade própria de governo — especialmente com propostas como a descentralização por meio das “capitais transitórias”.

Entre gestão e articulação política, o início do mandato sinaliza uma estratégia clara: manter os pilares do governo anterior, mas com maior presença no interior e foco em ampliar a capilaridade das ações do Estado em Minas Gerais.