Ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o delator Mauro Cid, afirmou nesta segunda-feira (9) em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o então presidente da República recebeu a minuta do golpe, leu e fez alterações, mantendo a possibilidade de prisão de Alexandre de Moraes no documento.
Questionado por Moraes, Cid foi enfático. “De certa forma, ele enxugou o documento, retirando as autoridades das prisões. Somente o senhor ficaria como preso”.
Mauro Cid disse que uma versão anterior do documento previa a prisão de mais autoridades como ministros do STF e autoridades do Poder Legislativo. O assunto foi discutido em mais de uma reunião.
Cid é o primeiro a depor no processo em que Bolsonaro e outros sete réus respondem por tentativa de golpe de Estado na sala da Primeira Turma da Corte. Bolsonaro está presente à audiência, mas será questionado provavelmente no final de semana ou até no início da próxima. Antes do depoimento, Bolsonaro e Cid se cumprimentaram.
Cid se isentou dizendo que, embora tenha presenciado a maior parte da trama golpista, ele não participou delas.
O ex-ajudante de ordens declarou que Bolsonaro chegou a convocar uma reunião com a cúpula militar para apresentar o decreto de teor golpista.
Cid disse que os então comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Marinha, Baptista Junior, posicionaram contrários a qualquer medida nesse sentido, enquanto o general da Aeronáutica, Garnier Santos se mostrou favorável à ruptura institucional.
*Fonte: UOL
