Médico alerta para aumento de casos de câncer de pênis no Brasil

Entre os anos de 2013 a 2023, foram realizadas mais de 6 mil amputações, enquanto de 2011 a 2021 mais de 4 mil mortes foram em consequência da doença

O médico Rafael Pauletti, urologista e presidente da Sociedade Brasileira de Urologia no Rio Grande do Norte (SBU-RN), advertiu que no período compreendido entre 2012 a 2022, o Brasil registrou mais de 21 mil casos de câncer de pênis, conforme levantamento feito pelo Ministério da Saúde.

Entre os anos de 2013 a 2023, foram realizadas mais de 6 mil amputações, enquanto de 2011 a 2021 mais de 4 mil mortes foram em consequência da doença. No país, a ocorrência é mais frequente nas regiões Norte e Nordeste, representando cerca de 2% de todos os tipos de câncer que atingem os homens.

Segundo Pauletti, a maioria dos casos poderia ser evitada com ações simples, como higiene adequada e a vacinação contra HPV: “A gente vê que em países mais desenvolvidos com uma condição socioeconômica melhor, a incidência é baixíssima, com 100 a 200 casos ao ano. No Brasil, segundo estatística do Inca (Instituto Nacional do Câncer) temos cerca de 2 mil casos ano”.

“O principal fator do câncer é a má higiene, aquele paciente que tem dificuldade de puxar a pele, de expor a cabeça e a glande, puxar completamente e limpar. O acúmulo crônico de sujeira, aquela inflamação crônica, o machucadinho que vai passando, e o cara nunca vai atrás. Porque é uma população bem mais sem instrução, com maior dificuldade de acesso a médico e não procura”, explica.

Neste ano, a SBU, tanto a nível regional e nacional, está organizando uma campanha de conscientização acerca da doença.

Em parceria com o Hospital Universitário ea Liga Contra o Câncer, que será realizado neste sábado (24), um mutirão de cirurgia de remoção de pele de adultos e adolescentes, prioritariamente aqueles que se encontram nas filas de cirurgia, com o objetivo de reduzir as chances de desenvolvimento da doença nesse público. Assim como outros, o câncer de pênis tem tratamento e pode chegar inclusive à remoção do órgão. O diagnóstico precoce é o melhor caminho, dia o médico.

“Com diagnóstico precoce, em estágio inicial, retiramos somente a lesão. Se já estiver em estágio de câncer e a biópsia comprovou que é estágio inicial, um ou dois, dá para fazer a remoção parcial sem fazer a remoção completa do órgão, e ainda alcançar a cura. No estágio três ou quatro é mais difícil, porque a doença está se espalhando”, entenda.

A concentração maior nas regiões Norte e Nordeste, segundo Rafael, está ligada ao baixo índice de desenvolvimento socioeconômico, bem diferente ao comparado com o Sul e o Sudeste. Além disso, a dificuldade de acesso a um médico especialista com as dificuldades de locomoção dessas pessoas. População mais carente, índice de desenvolvimento reduzido e acesso ao médico. O SUS é universal, porém, a dificuldade de acesso é enorme, principalmente no Norte e Nordeste, no Norte mais ainda, devido às distâncias.

De acordo com levantamento feito pela SBU, informado por Rafael, estima-se que no Rio Grande do Norte tem em média em torno de 30 casos por ano, atendidos pela liga do Câncer que dá vazão muito rápida para esses casos. Não temos fila de espera para o tratamento de câncer, mas o que gostaríamos é que não acontecesse isso.

Médico alerta para aumento de casos de câncer de pênis no Brasil
Médico Rafael Pauletti – Foto: Divulgação