Médico cita apreensão de pacientes suspeitos de Covid-19 e necessidade de amparo psicológico: “Pensam que vão morrer”
Aumento do medo, ansiedade e estresse foram notados por profissionais do Hospital Nossa Senhora das Dores, em Itabira

O agravamento da pandemia provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), com milhares de mortes no mundo, tem impactado também a saúde mental das pessoas. Ao serem diagnosticados com suspeita da doença, muitos pacientes apresentam sintomas como ansiedade, estresse e medo. Em Itabira, no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), as equipes multidisciplinares que atuam no Centro de Alta Complexidade (CAC) têm se deparado com mais este problema.
“A primeira impressão quando a pessoa chega aqui é a seguinte: ‘estou com coronavírus e vou morrer’. A pessoa já está com esse pensamento. O que eu enxergo, hoje, é que os pacientes são mais conscientes em relação ao coronavírus e que vêm para cá com suspeita, chegam apreensivas, estressadas, porque estão com medo de estarem com a doença e evoluírem como a televisão tem mostrado”, declarou à reportagem de DeFato Online o diretor clínico do HNSD, Caio Seródio.
Diante disso, a equipe se desdobra para reverter a situação e mostrar que a situação pode ser controlada. Segundo Caio Seródio, a equipe do HNSD faz de tudo para que o paciente se sinta mais tranquilo. No entanto, sem deixar de ponderar sobre a seriedade da doença.
“A gente tem que ter todo um trabalho, não só médico, mas também psicológico, para o paciente se sentir confortável. Temos que demonstrar que o coronavírus é um vírus que sim, pode causar complicações, mas que a partir do momento que o paciente inicia um tratamento adequado, as chances de complicações são menores”, explicou o médico.
Ele ressalta que, quanto mais precoce for iniciado o tratamento, nos casos onde os sintomas são mais graves, melhor vai ser o processo de estabilidade do paciente.
“Então, a maior dificuldade que eu tenho tido aqui é exatamente isso. É tentar orientar essas pessoas de que o coronavírus, sim, é uma infecção que pode ter complicações. Porém, a gente quer dar para o paciente conforto, carinho e atenção. Tentamos demonstrar que ele não está sozinho, que estamos juntos e vamos dar todo suporte necessário para ele se tratar, para se curar”, completou o diretor clínico do HNSD.
Cuidado que acalma
E todo esse cuidado proporciona tranquilidade aos pacientes. E foi assim com uma mulher de 61 anos, internada duas vezes com suspeita de coronavírus.
Segundo Caio Seródio, quando a paciente foi internada pela primeira vez, ela estava apavorada, apreensiva. “Ela estava com medo de estar com coronavírus e ter passado para o marido e a filha”, comentou o médico. Da segunda vez que foi internada no HNSD, ela já estava mais tranquila em relação a doença. Do seu leito, onde apenas a equipe médica tem acesso, a mulher conversou com a reportagem na semana passada, que ficou do lado de fora.
“Quero ir embora para minha casa porque tenho muitas coisas para resolver e estou presa aqui. Tem coisas que só eu posso resolver. Tenho marido também. Ele está com um problema mais sério de saúde e eu fico daqui, monitorando ele. ‘Você mediu a glicose? Como você está? Você tomou insulina?’”, relatou a mulher à DeFato. Nesta segunda-feira (11), veio a boa notícia: ela testou negativo para coronavírus, teve alta hospitalar e foi encaminhada para casa.

Ao sair do hospital a paciente assinou um termo de responsabilidade e a Secretaria Municipal de Saúde e demais os órgãos foram comunicados.
Equipe multidisciplinar
Além de diretor clínico do HNSD, Caio Seródio é cardiologista e intensivista. Coube a ele montar as equipes que iriam atuar nos casos de coronavírus. Além de Seródio, atuam na CAC os médicos Giovane Souza de Oliveira, clínico e psiquiatra; e Urutã Pereira de Lucena, nefrologista e chefe da UTI II.

Duas equipes multidisciplinares foram formadas e se revezam em turnos. Cada equipe conta ainda com um fisioterapeuta, dois enfermeiros e cinco técnicos em Enfermagem que foram treinados para lidar com a Covid-19. “Procurei escolher pessoas que têm uma expertise boa no aspecto de conseguir controlar o paciente de todas as formas”, ponderou Caio Seródio.





