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Mesmo com queda no ICMS e “tarifaço”, Dr. Laércio garante que João Monlevade fechará as contas públicas em 2025

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

João Monlevade, assim como diversos municípios brasileiros, enfrenta em 2025 um cenário de queda na arrecadação e aumento das despesas públicas. Apesar de alguns meses com desempenho positivo, até setembro a receita municipal acumulava um déficit de R$26,2 milhões em relação ao previsto no orçamento, o que representa uma variação negativa de 6,99%. Mesmo diante das dificuldades, o prefeito Dr. Laércio Ribeiro (PT) afirmou que a administração municipal irá fechar o ano com as contas em dia, sem atrasos com o funcionalismo público ou fornecedores. A declaração foi dada ao DeFato após um “Café com a Imprensa” realizado nesta quarta-feira (17).

“Nós vamos fechar as contas, não vamos ficar devendo nem funcionalismo e muito menos as pessoas que trabalham para a prefeitura, os nossos contratos. Nós cumprimos isso em todos os nossos mandatos”, garantiu o prefeito. Segundo Dr. Laércio, houve queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal imposto repassado aos municípios, ainda que outros tributos tenham apresentado crescimento. No entanto, o avanço das despesas superou o aumento da receita. 

“Hoje, a receita teve uma diminuição do previsto, mas os gastos aumentaram mais. Tivemos um aumento de gastos de cerca de 8%, enquanto a arrecadação cresceu 3% na totalidade”, explicou. Diante da frustração de receita, a Prefeitura publicou, em outubro, um decreto que limita as despesas da administração municipal. O pacote de medidas, válido até 31 de dezembro de 2025, impõe controle rigoroso sobre horas extras, reprogramação de serviços e redução ou adiamento de investimentos. 

O quadro fiscal do município também foi agravado pelo impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, que entraram em vigor em agosto. O chamado “tarifaço” faz parte da política comercial adotada pelo governo norte-americano, liderado por Donald Trump, de elevar tarifas contra parceiros comerciais, em meio à disputa econômica com a China. Com as novas tarifas, as exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos registraram queda de 45,41% até setembro. 

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre agosto e setembro deste ano, as vendas mineiras para o mercado norte-americano somaram US$446,95 milhões, bem abaixo dos US$818,82 milhões registrados no mesmo período de 2024. Nesse contexto, João Monlevade aparece como a segunda cidade mineira mais impactada pela medida, com retração de 58,21% nas exportações, ficando atrás apenas de Sete Lagoas, que registrou queda de 68,29%.

Durante a entrevista, Dr. Laércio demonstrou preocupação com os reflexos do cenário internacional na economia local, especialmente para 2026. O prefeito lembrou que o município tem forte dependência da siderurgia e que a usina da ArcelorMittal destina parte relevante de sua produção ao mercado externo, tendo os Estados Unidos como um dos principais clientes. “A gente já tinha dificuldade com a concorrência da China, agora uma dificuldade com os Estados Unidos”, afirmou.  Apesar do cenário adverso, Laércio Ribeiro reforçou que a gestão adotará cautela para atravessar o período de instabilidade.

“Com os pés no chão, nós não vamos deixar nada de urgente para a cidade. Nas áreas sociais, de saúde e de educação, vamos continuar mantendo da mesma forma e tenho certeza que vamos vencer esse período, que espero que seja o mais curto possível”, concluiu.

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