As primeiras palavras de Lionel Messi como jogador do Paris Saint-Germain tentaram unir o passado, como jogador do Barcelona por 17 temporadas, mas também apontar para o futuro, essa nova fase de sua carreira, e seu desejo pessoal de conquistar novos títulos. O jogador foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (11) como o mais importante reforço da história do clube francês.
“Não deixo para trás tudo que vivi no Barcelona, tudo não some de um dia para o outro. Mas estou muito feliz por estar aqui, começar essa nova etapa. E minha semana foi de altos e baixos, muitos sentimentos. A gente foi assimilando isso da maneira possível”, afirmou o argentino. “Estou no lugar certo para conquistar a Liga dos Campeões e continuar ganhando”, completou.
Uma multidão acompanhou a primeira entrevista do craque argentino do lado de fora do estádio Parque dos Príncipes para saudar o mais importante reforço da história do clube e do próprio futebol francês. De acordo com o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, a chegada de Lionel Messi é “um dia histórico”.
Um dos momentos mais emocionantes foi exatamente esse primeiro encontro com a torcida. Diante de uma festa parecida como aquela que verá durante os jogos — fumaça colorida, fogos de artifício e muita cantoria — Messi estava emocionado. Não chegou a chorar, mas foi quase. Do alto de um balcão, uma espécie de palanque que ficou distante uns cinco metros da multidão, ele acenou e sorriu mais do que de costume.
Em férias depois de conquistar a Copa América, no Maracanã, no mês passado — seu primeiro título com a seleção argentina principal em toda sua carreira —, Messi se esquivou sobre a definição da data de estreia pelo novo clube. O Campeonato Francês já começou e o PSG venceu o Troyes na estreia.
“Não sei ainda, acabo de voltar de férias, estava há um mês parado. Falei com o técnico. Acho que vou ter que fazer uma pré-temporada sozinho, treinar para poder jogar. Espero que seja o quanto antes, mas não posso te dar uma data. Não é uma decisão que não é minha. Mas a vontade existe”, declarou Messi.
Messi cumpriu todas as etapas de uma apresentação tradicional. Uma entrevista coletiva para jornalistas do mundo todo, pose para fotos ao lado do presidente do clube, Nasser Al-Khelaifi, que esteve ao seu lado em todos os momentos, mais fotos no gramado do Parque do Príncipes, aquela ida ao lado de fora por alguns minutos. Embora seja um astro internacional, Messi parecia assustado, meio deslocado com tanta bajulação. Afinal, é a primeira vez em que foi apresentado num novo clube. Sua vida inteira foi feita no Barcelona. É tudo que ele conhece.
Favorito?
A chegada de Lionel Messi deixa o clube francês como um dos principais candidatos ao título da Liga dos Campeões. No torneio local, nem se fala. O astro reafirmou o desejo de levantar mais uma vez a taça mais importante do futebol europeu. Ele já foi quatro vezes vencedor do torneio.
“É um time basicamente pronto, foram feitas contratações para a temporada. O PSG esteve perto de vencer a Champions em outras oportunidades E estou aqui para ajudar, dar o melhor, com muita vontade, sede de jogo. Nunca tive tanta vontade de jogar. Tenho o objetivo, quero uma Champions, e estou no lugar para ter uma chance desse título”, disse Lionel Messi.
O vínculo de Messi com o clube francês é de duas temporadas, tendo a opção de renovar por mais uma temporada, até o meio de 2024. Seu salário rondaria os 35 milhões de euros (cerca de R$ 214 milhões na cotação atual) líquidos por temporada, com bônus incluídos — isso o deixaria no nível dos vencimentos de Neymar no elenco. Messi vai utilizar o número 30, que faz parte de sua história no começo da passagem vitoriosa pelo Barcelona.
Messi reafirmou que um fatores importantes para escolher o PSG foi a presença de jogadores conhecidos do elenco, entre eles, Neymar, com quem atuou no Barcelona, além dos argentino Di María, Paredes e o técnico Mauricio Pochettino. “Tenho certeza que a relação no vestiário será das melhores. Isso mostra que temos chance, que o objetivo pode ser alcançado em Paris. Claro que foi bom. Ney, Di María, Paredes, são amigos, jogadores que já conheço. Tive contato, conversamos. Eles fizeram muito para que eu escolhesse esse clube”, confirmou o astro.
Messi falou sobre o Barcelona em vários momentos. Foi sincero sobre a história que construiu lá. Não adotou a postura de “passado é passado”, tão comum em apresentações de jogadores que se sentem constrangidos em falar sobre os rivais. Com Messi não foi assim. E ele falou da tristeza de deixar a torcida para trás
“Antes de sair, sem saber para onde ia, eu disse a eles que sempre vou considerar Barcelona como minha casa. Desde criança morava na cidade. Eles sabem que gosto de ganhar, eles me conhecem. Quero continuar buscando meus objetivos, quero fazer com que o PSG possa seguir com o objetivo de ganhar, ser cada vez mais importante como clube. Não sei se isso vai acontecer, mas se eu tiver que encontrar o Barcelona, que seja bonito, que o estádio esteja cheio. Mas claro que vai ser estranho, eu admito, atuar contra o Barcelona jogando outras cores. Mas é futebol, isso acontece”, afirmou Messi.
Presidente do PSG cutuca Mbappé e garante seguir Fair Play Financeiro
Embora o evento fosse a apresentação oficial de Lionel Messi, o presidente do PSG, Nasser Al Khelaifi, teve de responder questões delicadas na entrevista coletiva desta quarta-feira. Um dos temas polêmicos foi a permanência do atacante Kyllian Mbappé no elenco. Existem rumores de uma possível saída do astro para o Real Madrid. Além disso, o contrato ainda não foi renovado — ele vai até julho do ano que vem.
O outro tema delicado foi a necessidade de cumprimento das regras do Fair Play Financeiro com a contratação de Messi. Nos dois casos, o dirigente se mostrou otimista, mas não deixou de cutucar a estrela francesa.
“Acho que agora todos já sabem o futuro de Mbappé. Ele é parisiense, tem uma mentalidade que busca a vitória. Ele já disse que está feliz com essa chegada e disse que queria um time competitivo. Agora não há desculpa para mais nada”, afirmou o dirigente.
O futuro de Mbappé no PSG ainda é indefinido. O atacante tem mais um ano de contrato e ainda não decidiu se renovará — em tese, poderá assinar pré-contrato com outro time no fim do ano. Existe um grande interesse do Real Madrid em contratá-lo.
Nasser Al Khelaifi também foi questionado sobre o cumprimento das regras do Fair Play Financeiro para a contratação de Messi. O dirigente garantiu que “todos os cuidados foram tomados”.
“Nós seguimos toda a regulamentação para as negociações. Sempre mantemos o Fair Play Financeiro, as regras, falamos com as pessoas do mundo jurídico, financeiro. Fizemos tudo com o maior cuidado, para saber se teríamos essa capacidade. Não queríamos prometer algo que não pudéssemos cumprir. Não podemos olhar o lado negativo, mas os aspectos positivos que chegam ao clube. Todo o trabalho nas redes sociais e as mudanças na estrutura. Do ponto de vista comercial, nosso clube está se preparando muito para isso”, disse o presidente do PSG.
O Fair Play Financeiro foi criado em 2010 para obrigar os clubes a gastarem de acordo com sua arrecadação. Os clubes precisam equilibrar as despesas do futebol, como a contratação de jogadores e pagamento de salários, com as receitas de televisão, ingressos e as ações dos departamentos comerciais. O máximo que podem gastar a mais do que arrecadam é 30%. O dinheiro gasto em estádios, instalações de treinamento, desenvolvimento de jovens ou projetos comunitários está isento.
Essa verificação é feita por meio de uma prestação de contas à Uefa. O objetivo é impedir lavagem de dinheiro e que clubes menores quebrem ao arriscarem altos investimentos.

