“Meu filho dizia que estava infartando”: mãe relata luta para salvar adolescente de 13 anos após diagnóstico raro em MG
Hoje, meses após o susto, Davy segue em acompanhamento médico e realizando exames para investigar a causa do episódio cardíaco
A desenvolvedora Débora Martins viveu dias de desespero ao ver o filho, Davy Henrique, de apenas 13 anos, insistir que estava sofrendo um infarto. O caso, considerado raro por médicos, mobilizou equipes de dois hospitais e ainda segue em investigação clínica, no Vale do Aço.
Em entrevista à reportagem do Portal DeFato Online, Débora contou que os primeiros sintomas começaram dias antes da internação. O adolescente reclamava de fraqueza, sensação de desmaio, formigamento no braço esquerdo e dores no peito. Apesar disso, inicialmente, os sinais foram associados a uma crise de ansiedade. “Ele chegou para mim e falou: ‘mãe, eu estou infartando’. Naquele momento, para ser sincera, eu não acreditei. Achei impossível pela idade dele”, relatou.
Segundo ela, Davy acordou passando mal na madrugada do dia 10 de fevereiro. A mãe o levou para um hospital próximo de casa, em Timóteo, onde recebeu atendimento rápido, mas ouviu novamente que o quadro poderia ser de ansiedade. O adolescente, no entanto, insistia que algo mais grave estava acontecendo.
Após medicação e exames iniciais, uma médica decidiu solicitar um eletrocardiograma “por desencargo de consciência”. Foi então que alterações graves apareceram nos exames. “A enfermeira fez três ECGs nele. Na terceira vez, um médico da UTI desceu para conversar comigo e disse que o exame apresentava alterações graves”, contou Débora.
O exame de troponina — marcador cardíaco utilizado para detectar lesões no coração — confirmou a gravidade do quadro. Davy foi levado imediatamente para a sala de emergência. “Eles me disseram que meu filho precisava de transferência urgente porque o hospital não tinha estrutura para cuidar de um caso cardíaco pediátrico. O médico falou que ele provavelmente já tinha sofrido vários infartos”, disse.
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Viagem de emergência e novo susto
Sem conseguir transferência imediata pelo plano de saúde, Débora recebeu orientação médica para levar o filho de carro até o Hospital e Maternidade Vital Brazil e depois seguir para o Hospital Márcio Cunha, referência na região. Ela descreveu o trajeto de cerca de 40 minutos como “os mais longos da vida”.
Ao chegar ao segundo hospital, porém, a mãe afirma ter enfrentado novo momento de tensão durante a triagem. Segundo ela, uma funcionária também levantou a hipótese de ansiedade e teria minimizado o caso, apesar dos exames já indicarem alterações cardíacas.
A situação mudou após uma médica que já aguardava o adolescente assumir o atendimento. “A doutora Isabela chegou com maca e equipe preparada. Ela determinou que colocassem pulseira laranja nele porque era um paciente com risco iminente de morte”, relembrou.
Caso raro segue sem diagnóstico fechado
Durante os 13 dias de internação, Davy passou por diversos exames e foi acompanhado por equipes multidisciplinares. Segundo Débora, os médicos investigaram hipóteses como miocardite, pericardite, doença de Kawasaki e anomalias coronarianas, mas nenhum diagnóstico foi completamente confirmado. “Os médicos disseram que nunca tinham visto um caso igual ao dele”, afirmou.
Apesar da gravidade, exames de imagem mostraram que o coração do adolescente não apresentava sequelas estruturais aparentes. A família agora busca atendimento em medicina avançada para continuar investigando a origem do problema.
Davy permaneceu inicialmente na UTI coronária e depois foi transferido para um apartamento hospitalar, mas continuou sob monitoramento intensivo.
Interesse por medicina ajudou adolescente a reconhecer sintomas
Durante a entrevista, Davy contou que já suspeitava da gravidade do quadro antes mesmo da confirmação médica. Segundo ele, semanas antes, havia começado a estudar anatomia após ganhar um livro de medicina da mãe. “Eu estava sentindo dor, formigamento, tontura e vontade de desmaiar. Quando percebi que não era normal, contei para minha mãe”, relatou o adolescente, que disse já ter alguma noção sobre os sintomas de um infarto.
“O que salvou meu filho foi ouvir a voz dele”
Ao refletir sobre toda a situação, Débora acredita que o fator decisivo para salvar o filho foi ter dado credibilidade ao que ele dizia sentir. “O que salvou meu filho não foi protocolo. Foi ouvir ele. Mesmo quando falavam que era ansiedade, algo dentro de mim dizia que eu precisava acreditar no meu filho”, destacou.
Ela também fez um alerta para que pais e responsáveis observem atentamente os sinais apresentados pelas crianças e adolescentes. “Muitas mães me procuraram depois contando que perderam filhos por situações parecidas. A gente precisa ouvir nossos filhos e entender que cada paciente é diferente”, afirmou.
Hoje, meses após o susto, Davy segue em acompanhamento médico e realizando exames para investigar a causa do episódio cardíaco raro.




