Militar preso por matar vizinho em Betim já havia matado pastor com espada
Documentos médicos citados na apuração apontam diagnósticos de psicose, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e síndrome de burnout, além de histórico de internação psiquiátrica

O militar reformado da Marinha preso por matar o vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, a tiros em Betim já havia confessado a morte de um pastor com uma espada em 2014, no Distrito Federal. Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 34 anos, foi detido em flagrante na terça-feira (14) e permanece à disposição da Polícia Civil, que investiga o novo caso.
Segundo apuração da Itatiaia, Guilherme tinha 23 anos quando atacou o pastor Alessandro Veloso Pires, de 40, após uma discussão relacionada a um assento em um ônibus interestadual. O crime ocorreu durante o feriado de 7 de setembro, depois que o veículo chegou a Taguatinga. A vítima estava acompanhada dos filhos e havia viajado de Goiânia para assistir à participação do mais velho em um desfile da Independência. Alessandro foi socorrido, mas não resistiu. Guilherme confessou o crime e foi preso ainda naquele mês.
Documentos médicos citados na apuração indicam que o militar permaneceu cerca de um ano no Complexo Penitenciário da Papuda e passou outros quatro anos em uma instituição psiquiátrica. Um pedido de interdição apresentado por um familiar em 2021 relatou diagnósticos de transtornos psiquiátricos, entre eles psicose e esquizofrenia.
O documento também informa que ele ingressou na Marinha aos 19 anos, foi afastado após um episódio psicótico e posteriormente desligado. A existência desses diagnósticos, por si só, não estabelece relação direta com os crimes investigados nem define eventual responsabilidade penal no caso ocorrido em Betim.
Carlos Alberto, conhecido como Carlins Gaiola, foi baleado na Rua das Flores, na região da Fazenda Saraiva. Ele foi levado por vizinhos ao Hospital Regional de Betim, mas morreu após ser atingido por quatro disparos.
Aos policiais, Guilherme afirmou que a vítima teria entrado em sua casa com uma faca e que atirou em legítima defesa. Imagens de segurança, porém, mostram o militar caminhando em direção ao carro de Carlos e os dois entrando em luta corporal na rua antes dos disparos, dinâmica diferente da versão apresentada pelo suspeito.
Familiares afirmam que os vizinhos mantinham desentendimentos havia aproximadamente dois anos e que pelo menos cinco ocorrências teriam sido registradas. A esposa de Carlos também relatou à Polícia Militar que Guilherme se envolvia em conflitos com outros moradores da região.
A Marinha confirmou que o suspeito é um militar reformado e informou que apura o episódio. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deverá analisar as imagens, ouvir testemunhas e verificar a alegação de legítima defesa antes de concluir o inquérito.