Minas Gerais realiza curso que dialoga com os saberes e as práticas populares de saúde
O curso prevê 17 encontros presenciais entre dezembro/2016 e abril/2017
Minas Gerais está com a segunda edição, em andamento, do curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde (EdPopSUS). O objetivo da capacitação é o fortalecimento das práticas dos trabalhadores da saúde, tendo como referência as políticas e metodologias da diretriz nacional.
A estratégia é um caminho para potencializar o cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), a participação e a mobilização popular nos territórios de desenvolvimento. Em 2016, sob a coordenação da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), a atuação prioritária foi traçada para junto dos municípios atingidos pela "Rota da Lama", em virtude do rompimento da barragem de rejeitos de mineração no ano passado.

Edição atual do curso envolve municípios atingidos pela 'Rota da Lama' / Crédito: Arquivo/Divulgação ESP-MG
“Vendo a situação das pessoas e da cidade, entende-se melhor as dificuldades que os profissionais das equipes de Atenção Básica do SUS enfrentam diariamente em seu trabalho", destaca a coordenadora do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde (NRAS) da ESP-MG, Silvia Franco. Como resultados práticos da execução até aqui, Silvia destaca o reforço da tradição do saber e dos trabalhadores para a realização destes serviços.
Construção
Antes de chegar à etapa dos encontros presenciais, foram realizadas, em novembro, oficinas para Formação dos Educadores em duas localidades: Belo Horizonte – no Centro de Formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – e em Barra Longa, município próximo ao distrito de Bento Rodrigues.
“Essa etapa foi extremamente rica para o fortalecimento da metodologia utilizada durante o curso, que dialoga com os saberes e as práticas populares de saúde”, destaca a coordenadora da ESP-MG.
Já na atual fase, que prevê 17 encontros presenciais (8h cada) entre dezembro desse ano e abril de 2017, a ação já passou por Ponte Nova (em 8/12) e Mariana (9/12). “Em ambas as ações educacionais, o foco foi na sensibilização e solidariedade como essenciais para entender as diversas realidades dos territórios e que os educadores e educandos são multiplicadores dessa prática humanizada nos serviços de saúde pública”, explica Silvia.
Experiências
A participação de vários atores e pluralidade de movimentos sociais, como MST, Atingidos pelas Barragens, assentamentos e quilombolas, enfatizam também mais uma estratégia do Governo do Estado em favor dos atingidos, da maior participação popular e transparências nas ações e políticas públicas.
Reforço de parcerias, visibilidade aos movimentos sociais, um novo aprendizado no SUS, autonomia, cogestão, colaborativismo e as potencialidades dos trabalhadores envolvidos nesse projeto são alguns resultados destacados institucionalmente pela ESP-MG, coordenadora do curso em MG. “As oficinas contam com cerca de 80% de mulheres e são agentes fundamentais no papel de diálogo com as comunidades e com os usuários do SUS”, observa Silvia.
Os professores do EdPopSUS (um para cada município) aprovam a metodologia participativa e colaborativa do curso, com atenção à pluralidade de vozes. É o caso, por exemplo, do educador popular e poeta, Guilherme Salgado (Timóteo – Território Vale do Aço), e da coordenadora de Atenção Básica à Saúde, Patrícia Costa (Cachoeira da Prata – Território Metropolitano), ambos professores no curso.
Para Salgado, a formação um caminho para conhecer a realidade do outro e, também, criar espaços para o fortalecimento de pessoas e trabalhadores. “Experimentar o outro e se fortalecer no outro. De alguma forma, ressignificar a nossa relação, entre nós, com o mundo e com o que a gente tem chamado de país ou de região”, destaca.

Barra Longa também recebeu oficina de formação de educadores do EdPopSUS' / Crédito: Arquivo/Divulgação ESP-MG
Patrícia, por sua vez, destaca a oportunidade única que o curso permite vivenciar. “Ele vai nos ajudar a levar todas as reflexões, tudo que nos afetou, essas vivências e convivências para as pessoas, e também aprender a lidar com o coletivo, com o agente comunitário de saúde (ACS) que está na base do SUS”, afirma.
EdPopSUS
O curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde (EdPopSUS) é uma realização da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP) do Ministério da Saúde, sob organização e planejamento da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).
Nessa segunda edição, o curso está sendo ofertado em 10 estados (Minas Gerais, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe). Em Minas, a ação tem o apoio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e é coordenada pela Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG). Em 2016, o EdPopSUS alcançou 36 municípios mineiros e vai formar 174 educadores e 315 alunos.
O público prioritário no EdPopSUS são agentes comunitários de Saúde, agentes de combate às endemias, profissionais e lideranças comunitárias, com destaque para as comunidades assentadas, quilombolas e demais movimentos sociais. Em síntese, trata-se de uma qualificação da prática educativa de profissionais e lideranças comunitárias que atuam em territórios com cobertura da Atenção Básica do SUS.
O curso faz parte das ações estratégicas da Política Nacional Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS), contribuindo, inclusive, para a sua implantação e fortalecimento. A primeira edição ocorreu em 2013, com a realização do curso de sensibilização em nove estados, com 19 mil educandos matriculados.