Minas Gerais registra aumento no número de transplantes e pode superar 2 mil procedimentos em 2025
Estado teve crescimento de 8% no primeiro semestre em relação ao ano passado; recusa familiar ainda é principal desafio
Minas Gerais caminha para registrar um novo recorde no número de transplantes em 2025, registrando um aumento de 8% apenas no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é encerrar o ano com mais de 2 mil transplantes realizados.
O avanço está relacionado a medidas como capacitação de equipes, fortalecimento das comissões hospitalares e melhorias na logística de transporte de órgãos. Em paralelo, novas parcerias foram estabelecidas com consórcios municipais de saúde para ampliar a realização de exames que confirmam a morte encefálica, etapa considerada um dos principais gargalos do processo. Essa integração já resultou em mais de 60 transplantes apenas em 2025.
A doação de órgãos representa, para muitas pessoas, a possibilidade de recomeço. O bancário Itamar Borges Junior, de 45 anos, conviveu durante anos com complicações do diabetes até receber, em 2014, um transplante de rim e pâncreas no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. O procedimento transformou sua rotina, ele voltou ao trabalho, formou família e retomou planos interrompidos pela doença.
“Depois do transplante a vida ficou quase normal. Voltei a viver com esperança”, relata Itamar, que se diz grato à família do doador.
Além dos transplantes de órgãos, o estado tem registrado crescimento na captação de córneas. Em 2024, foram 980 procedimentos; em 2025, o número já se aproxima de 700 apenas no primeiro semestre, com previsão de encerrar o ano próximo a 1.200, um aumento de mais de 20%. O resultado é atribuído a treinamentos voltados para médicos e equipes multiprofissionais, além de parcerias para descentralizar o procedimento em diferentes regiões.
Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda é o maior obstáculo para ampliar o número de doações. Dados indicam que cerca de 45% das famílias não autorizam o procedimento. Campanhas como o Setembro Verde seguem como estratégias centrais para conscientizar a população sobre a importância da doação. Especialistas reforçam que declarar em vida o desejo de ser doador facilita a decisão da família no momento da perda.
*Com informações da Agência Minas.




