Minas Gerais registrou mais de 20 mil desaparecimentos entre 2020 e 2022, aponta relatório da Polícia Civil

No mesmo período, mais de 13 mil pessoas foram localizadas no Estado

Minas Gerais registrou mais de 20 mil desaparecimentos entre 2020 e 2022, aponta relatório da Polícia Civil
Bianca Landau e Diego Alves durante a coletiva para apresentação dos dados das forças de segurança – Foto: Divulgação/PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, em coletiva de imprensa na quinta-feira (25), o Diagnóstico de Pessoas Desaparecidas e Localizadas nas Regiões Integradas de Segurança Pública do Estado, no período de 2020 a 2022. De acordo com o estudo, entre 2020 e 2022 foram registrados 20.461 desaparecimentos em território mineiro.

Somente em 2020, foram 6.857 pessoas desaparecidas em toda Minas Gerais; no ano seguinte, em 2021, aconteceram 6.846 desaparecimento; e em 2022, 6.758 casos. Também foram levantados os registros de localização de pessoas no Estado: 4.432 em 2020, 4.455 em 2021, e 4.356 em 2022.

A chefe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, Bianca Landau, alertou para o fato de haver uma tendência dos cidadãos a não registrarem a localização dos familiares, o que impacta nas estatísticas, se compararmos o número de pessoas desaparecidas e localizadas. “Em Belo Horizonte, por exemplo, a imensa maioria dos desaparecidos é localizada, mas esses números não conseguem ser captados pelo relatório devido ao não registro da localização. Por isso, é muito importante que os familiares, quando localizarem o seu ente querido, registrem a localização, contribuindo para que a Polícia tenha um recorte cada vez mais próximo da realidade”, orient0u.

O relatório ainda aponta que há maior incidência de desaparecimentos de pessoas com o seguinte perfil: sexo masculino (64,43%); adultos (64,70%); que se declaram pardas (46,71%); e que, em relação à escolaridade, não concluíram o ensino superior.

Entre as principais motivações para o desaparecimento estão: dívida financeira, interdição judicial, histórico de depressão, conflito familiar, uso de substância tóxica, uso de bebida alcoólica, primeira ausência e uso de medicamento controlado.

O relatório

O objetivo do estudo é diagnosticar e descrever detalhadamente o perfil da pessoa desaparecida em Minas Gerais, a fim de que, no futuro, essas informações possam colaborar nas definições de estratégias para o enfrentamento do desaparecimento, através de políticas públicas ligadas especificamente à prevenção do desaparecimento de pessoas.

O relatório é resultado do trabalho da Diretoria de Estatística e Análise Criminal, da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP), e do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária (DHPP/DRPD).

Segundo o Diretor de Estatística e Análise Criminal, Diego Fabiano Alves, os dados sobre o quantitativo, bem como o perfil das pessoas desaparecidas e localizadas foram extraídos da Base Integrada de Segurança Pública (Bisp), na qual as informações foram lastreadas no banco de dados oriundos do sistema transacional do Registro de Evento de Defesa Social (Reds).

É importante salientar que o correto preenchimento do Reds é de fundamental importância para o alcance fidedigno do diagnóstico apresentado neste relatório”, destaca Alves.

Por se tratar de um sistema integrado, os dados tratados contemplam os registros feitos pela Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER-MG), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Sistema Prisional e Sistema Socioeducativo.

* Com Agência Minas.