Minas lança programas de parentalidade positiva para prevenir uso de álcool e outras drogas entre crianças e adolescentes

Formação realizada nesta quinta-feira (12) e sexta-feira (13) reúne profissionais da área e apresenta iniciativas como Famílias Fortes e ECT, com foco em famílias e escolas

Minas lança programas de parentalidade positiva para prevenir uso de álcool e outras drogas entre crianças e adolescentes
Pesquisadora e especialista Zila Sanchez apresentando dados sobre parentalidade positiva. Foto: Ramon Agostinho/DeFato Online

Minas Gerais iniciou, nesta quinta-feira (12), uma formação voltada à implementação de programas de parentalidade positiva no estado, apresentados como estratégia de prevenção ao uso de álcool e outras drogas, voltados especialmente para crianças e adolescentes. O encontro segue até sexta-feira (13) e reúne profissionais de diferentes áreas, com presença de equipes escolares, assistência social, iniciativas de prevenção e órgãos ligados ao sistema de justiça e segurança.

O principal anúncio do evento é a ampliação de um portfólio de ações que buscam fortalecer práticas parentais e o vínculo familiar como fator de proteção. Entre os programas citados na abertura estão o ECT, voltado a famílias com crianças, e o Famílias Fortes, com foco em pais e responsáveis por adolescentes. A proposta, segundo os organizadores, é estruturar a aplicação na ponta, com formação técnica, alinhamento de fluxos e articulação entre serviços.

A subsecretária estadual de Políticas sobre Drogas, Fabiane Alessandra Rodrigues Oliveira, afirmou que a iniciativa se baseia em evidências sobre os efeitos de práticas parentais na prevenção e em outros indicadores sociais. 

“Esse seminário foi concebido com muito cuidado, por ser uma temática com diversas evidências científicas de que, quando investimos em práticas parentais e no melhor relacionamento das famílias, a incidência é positiva em diversos contextos. Isso aparece em melhoria do desempenho acadêmico, em redução do uso de drogas, em redução da precocidade desse uso e também em temas relacionados à violência e à criminalidade. A nossa plateia tem educadores, psicólogos, assistentes sociais, profissionais do desenvolvimento social e da segurança, porque são essas equipes que vão executar programas com foco em parentalidade positiva”, disse.

Fabiane também citou que a política sobre drogas exige integração entre setores e defendeu que a prevenção precisa dialogar com a rotina de escolas e serviços públicos. “A política sobre drogas é transversal. Embora estejamos na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, o relacionamento institucional é com educação, saúde, desenvolvimento social, cultura, esporte e lazer. Quando falamos em prevenção, precisamos de repertório adequado a cada faixa etária e a cada contexto, para ter espaços mais protegidos e famílias mais protegidas”, afirmou.

A presidente do Serviço Social Autônomo (Servas), Christiana Renault, disse que programas de parentalidade podem produzir resultados em mais de uma frente, incluindo o ambiente escolar e a dinâmica familiar. “A parentalidade positiva não é exatamente uma novidade no mundo, porque há programas sendo desenvolvidos há cerca de 20 anos. Quando comecei a ter contato com isso, percebi que nós tínhamos uma ferramenta poderosa para aproximar as famílias da educação e também para reduzir a violência dentro de casa. Há ganhos relacionados à alfabetização e à diminuição da evasão escolar. São programas, muitas vezes, de curta duração e de execução possível, com efeitos relevantes sobre a juventude”, afirmou.

A programação da formação é dividida em dois dias, com mesas de debate e apresentações voltadas a práticas parentais, estilos de cuidado, proteção de crianças e adolescentes e prevenção baseada em evidências. Segundo a subsecretária, a intenção é manter o Seminário de Políticas sobre Drogas como um evento recorrente, com novas edições para outros temas dentro do campo da prevenção.

A expectativa é que, após a etapa de formação, os programas avancem para aplicação com equipes locais, com participação de escolas e serviços públicos que lidam com crianças e adolescentes.