Minas registra quase 1,5 mil denúncias de violência contra idosos até junho de 2026
Ação da Operação Virtude reuniu forças de segurança e rede de proteção para orientar a população e ampliar fiscalizações em instituições de acolhimento
Quase 1,5 mil denúncias anônimas de crimes e violações contra pessoas idosas foram registradas entre 1º de janeiro e 9 de junho deste ano em Minas Gerais e em Belo Horizonte. Os dados do Disque Denúncia Unificado apontam 1.479 registros no período, sendo 1.189 em municípios mineiros e 290 na capital. Nesta quinta-feira (18), a Operação Virtude reuniu órgãos de segurança, Justiça e assistência na Defensoria Pública de Minas Gerais, no Barro Preto, para discutir formas de prevenção e denúncia.
A programação faz parte do Junho Violeta, campanha voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa busca chamar atenção para situações que nem sempre são reconhecidas como agressão, como abandono, retenção de dinheiro, golpes, maus-tratos, retirada de autonomia e violências praticadas dentro da própria família.
Segundo o superintendente de Integração e Planejamento Operacional da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Bernardo Naves, os registros recebidos pelo canal de denúncias não representam a dimensão total dos crimes. Ele afirmou que há subnotificação e destacou a importância de identificar esses impasses para pensar em meios para que a denúncia seja viável.
“Infelizmente, eu posso afirmar com toda segurança que o número de crimes é maior do que o número de denúncias, porque é um tipo de violência que tem muita subnotificação. Muitas vezes, as autoridades sequer ficam sabendo que o crime aconteceu ou não há registro policial”, afirmou Bernardo Naves.
O superintendente também reforçou que o aumento de informações encaminhadas ao poder público pode ajudar no enfrentamento das violações. “A gente espera mais denúncias, porque isso significa que vamos ter mais elementos para investigar, para punir os culpados e, principalmente, para fazer cessar essas violências”, disse.
A chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, ao Idoso, à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerâncias da Polícia Civil, delegada Juliana Califf, apontou que parte das vítimas não consegue identificar a situação de violência ou depende da pessoa responsável pelos abusos.
“Esses crimes acontecem, muitas vezes, dentro das residências dos idosos, praticados por pessoas que têm o dever de cuidado. Pode ser um familiar, um filho, um enteado. Há casos em que o idoso não sabe que está sendo vítima daquela violência”, declarou a delegada.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181, disponível 24 horas por dia, ou pela plataforma Denúncia 181. O denunciante recebe um protocolo para acompanhar o andamento da informação repassada, sem necessidade de identificação. Também é possível procurar uma unidade policial ou a Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso, em Belo Horizonte.
A coordenadora da Defensoria Especializada da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência de Belo Horizonte, Fernanda Fernandes, afirmou que ampliar o acesso à informação e aos serviços ajuda a reduzir o isolamento de idosos em situação de vulnerabilidade.
“Um idoso que tem acesso à informação, que entende como funciona a rede de proteção e convive nesses espaços, tem mais voz para enfrentar uma situação de violência e para se impor”, afirmou Fernanda Fernandes.
Entre os casos que chegam aos órgãos de segurança estão relatos de maus-tratos, violência psicológica, retenção de benefícios, exploração financeira e crimes praticados por meio da internet. A orientação é para que vizinhos, familiares, profissionais de saúde, empregados domésticos e outras pessoas que tenham conhecimento de situações suspeitas comuniquem os fatos às autoridades.
A operação também prevê inspeções em instituições de longa permanência para idosos. De acordo com informações apresentadas durante o evento, Belo Horizonte tem cerca de 300 unidades de acolhimento, e aproximadamente 30 foram identificadas como prioritárias para fiscalização por apresentarem problemas relacionados à documentação, infraestrutura, alimentação, acessibilidade ou condições de cuidado.
A mobilização reuniu representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público, Defensoria Pública, Vigilância Sanitária e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais. Além das orientações ao público, a programação incluiu a emissão da Carteira de Identidade Nacional e informações sobre os canais de denúncia.




