Mineração social: Belmont doa R$ 30 mil arrecadados em leilão ao Lar de Ozanam
Representantes da mineradora Belmont e da joalheria Carla Amorim entregaram dinheiro arrecadado em leilão beneficente ao Lar de Ozanam, em Itabira
A tarde desta quarta-feira, 25 de janeiro, é a prova definitiva de que para a solidariedade não existe fronteiras. Representantes da mineradora Belmont e da joalheria paulista Carla Amorim estiveram no Lar de Ozanam, em Itabira, para a entrega de um cheque arrecadado em um leilão beneficente realizado em meados do ano passado, na região da Toscana, na Itália. O dinheiro, muito bem-vindo, já tem destino planejado por parte da instituição e vai ser revertido em melhorias e mais conforto para os idosos atendidos.
O leilão foi organizado em julho, pela socialite Luziah Hennessy, representante do grupo Moët Hennessy – Louis Vuitton S/A, um dos maiores da indústria do luxo em todo planeta. A ideia era levantar fundos para instituições beneficentes através da venda de obras de artes valiosas. O evento foi chamado de “The Art of The Treasure Hunt” (A arte dos caçadores de tesouro) e uma das convidadas, a joalheria Carla Amorim, acionou a Belmont, sua parceira, para integrar essa "engrenagem solidária (clique aqui e leia mais sobre o evento).
Dessa forma, a Belmont doou esmeraldas extraídas nas minas da empresa em Itabira para que a joalheria a transformasse em um belo par de brincos. A joia foi levada ao leilão e vendida a uma família da Jordânia por cerca de 30 mil euros. O dinheiro foi repartido entre entidades das cidades das partes envolvidas. Os compradores indicaram uma associação que cuida de refugiados libaneses, a joalheria um instituto que realiza trabalho social na Favela do Moinho, em São Paulo, e a Belmont indicou o Lar de Ozanam, em Itabira.
A entidade itabirana cuida atualmente de cerca de 50 idosos e tem orçamento bem abaixo dos gastos mensais. Por isso, depende de ajuda de terceiros para conseguir balancear as contas e oferecer bom serviço aos internos. Da ação beneficente, o Lar de Ozanam recebeu R$ 30 mil. “É de muita importância para a casa. As associações hoje passam por grandes dificuldades, especialmente financeiras. Uma ajuda como essa é fundamental, a gente sempre conta com a benevolência de bons corações. Vai ser de grande valia”, avalia o presidente da instituição, Jair Norberto da Silva.
.jpg)
Brincos produzidos pela joalheria Carla Amorim a parir de esmeraldas extraídas em Itabira pela Belmont Foto: Divulgação
Valor social
O cheque foi entregue ao Lar de Ozanam pelo superintendente da Belmont, Marcelo Ribeiro, e pela sócia-executiva da joalheria Carla Amorim, Kelly Amorim. A empresária, que veio de São Paulo especialmente para conhecer o trabalho do Lar de Ozanam, definiu a passagem por Itabira como “um dia cheio de emoções”. “Chegar aqui e ver um trabalho lindo desses, tantas pessoas se doando, cuidando dos idosos com tanto carinho… A gente percebe carinho em cada cantinho. Tudo é pensado, tudo é bem cuidado, tudo feito com amor”, afirmou.
O superintendente da Belmont, Marcelo Ribeiro, comentou que a escolha do Lar de Ozanam se deu pela relevância do trabalho da instituição. Além disso, pesou também a idoneidade dos diretores e a certeza de que o dinheiro será bem investido. “Normalmente, é uma instituição que todo mundo esquece que existe, porque a população acha que ela se autofinancia. Os idosos que lá residem contribuem com uma parte da aposentadoria, mas o custo de um residente é três vezes maior que a média das contribuições. São pessoas que demandam assistência de médicos, nutricionistas, cuidadores. São vários acamados. Só quem realmente conhece o trabalho consegue perceber isso”, disse.
“A nossa indicação está muito ligada à qualidade do pessoal que administra o recurso. Uma empresa, quando resolve fazer uma doação, se preocupa muito com o fim desse ato, se realmente vai chegar a quem precisa. E pelo que temos acompanhado já há algum tempo, só escutamos coisas boas sobre a idoneidade da instituição. Essa é a principal característica para escolher uma instituição: ter a certeza que o recurso vai ser bem empregado”, completou.
Acostumada a ver as joias de sua empresa proporcionarem emoções diversas, Kelly Amorim diz que volta para São Paulo com uma nova experiência. “Trabalhar com joias é bom porque a gente vende emoção. Presentes de casamento, de aniversário… E agora a joia proporciona outra emoção, que é contribuir para a renda de gente que já fez tanta coisa e agora está na hora de receber. Estou muito emocionada”, relatou.

Kelly Amorim e Marcelo Ribeiro exaltaram trabalho do Lar de Ozanam em Itabira Foto: Rodrigo Andrade/DeFato
Bem na hora
A doação chega em hora oportuna, segundo o presidente do Lar de Ozanam. Segundo Jair, o dinheiro será usado para dar continuidade às obras de melhoria da instituição e proporcionar mais conforto aos idosos. “Vamos fazer uma nova recepção, próximo à portaria. Vamos também adquirir novas cadeiras, para dar um conforto melhor aos idosos. Alguns internos necessitam de uma cadeira especial, que é muito cara, e a gente não consegue custear e muito menos os idosos. Já está tudo planejado para a gente colocar em prática”, resume.
Com as finanças complicadas, o presidente aponta a importância de ajudas de terceiro e exalta a ação da Belmont. “O que nos mantém são as ajudar, as doações dos corações bondosos da cidade”, diz. “Hoje, o custo de um idoso grau três, por exemplo, é quase R$ 3 mil por mês. É uma conta desproporcional, que não fecha. Nós temos a parceria com a Prefeitura, mas não cobre tudo. O custo para manter uma casa dessa é muito alto”, relata.
“Que Deus abençoe todo esse grupo, que eles continuem assim, com bons corações e ajudando quem necessita”, encerrou o presidente Jair. Além dele, também participou da solenidade de doação a tesoureira Maria da Penha Batista Reis, que no início de fevereiro assume a presidência do Lar de Ozanam.
.jpg)
Presidente do Lar de Ozanam, Jair Noberto da Silva, apresentou instituição aos doadores Foto: Rodrigo Andrade/DeFato