Monlevadense que mora em Portugal relata crise na Europa e dá recado: “Protejam uns aos outros”
Gustavo Inácio é monlevadense e etá em Portugal há 10 anos, onde tem uma barbearia. Ele relata o clima no país e em locais vizinhos, devastados pelo coronavírus
O jovem Gustavo Inácio é nascido em João Monlevade e mora há mais de 10 anos em Portugal. Ele é microempresário no país, onde tem uma barbearia que atende a clientes de vários partes da Europa. O profissional conta que todo o continente está em alerta por causa do coronavírus. Em Portugal, por exemplo, já são 100 mortes devido à doença. Outros países vizinhos, como Espanha e Itália, estão em situação ainda mais catastrófica, com quase mil óbitos registrados por dia por causa da Covid-19.
“Estamos em estado de emergência e aqui a população respeita o isolamento social. Apenas supermercados, farmácias e hospitais estão abertos”, disse Gustavo a DeFato Online.
Gustavo destacou que muitos temem perder empregos ou ter de declarar falência e perder seus negócios. Ele mesmo foi um dos que fechou seu empreendimento por tempo indeterminado. No entanto, devido à proximidade do país com a Itália, onde há maior número de mortos pelo coronavírus, a imensa maioria prefere ficar em casa.
“Portugal é um país com numerosa população de idosos, que é considerado grupo de risco da doença, o que causa ainda mais temor”, disse.
Brasileiros temerosos
O microempresário ainda contou à reportagem uma situação que atinge muitos brasileiros por lá. Como alguns estão ilegais, sofrem ainda mais com as incertezas econômicas diante da doença. “Estes são os primeiros a serem mandados embora, e como não estão legalizados, têm receio dos patrões não pagarem as obrigações, o que infelizmente, acaba acontecendo”, explicou.
O receio é tão grande destes brasileiros que muitos se reúnem próximo ao consulado do Brasil em Lisboa, capital de Portugal, para pedir que o estado português autorize a volta deles ao Brasil. “Isso porque têm medo de serem despejados ou passarem fome por falta de dinheiro”, disse Gustavo.
O microempresário ainda relata que comerciantes e empresários aguardam posicionamento do governo português sobre auxílio financeiro aos trabalhadores. Até então, o governo afirmou que pagaria o benefício apenas aos que estão infectados com o coronavírus.
Recado ao Brasil
Questionado pela reportagem sobre qual a mensagem ele deixaria aos brasileiros, Gustavo foi enfático. “Protejam uns aos outros e saiam de casa apenas os que precisam trabalhar realmente. Ajudem aos mais velhos, aproveitem para estar junto de suas famílias. O coronavírus parece algo longe, mas, quando algo pior acontece com alguém próximo a nós, o sofrimento é muito grande. Deus nos proteja”, finalizou.




