Moradores da Vila Cisne cobram da Vale negociações imediatas de imóveis
Representantes da Vale compareceram à Câmara
A mineradora foi representada por funcionárias dos setores de Relação Institucional, Mariana Diniz, e da Assessoria de Comunicação, Roberta Mathias. Elas explicaram que a empresa planejou concluir a etapa da parte inicial da Vila Paciência (próximo à linha férrea) para depois partir com as negociações para a Vila Cisne. A previsão era de que essa segunda etapa tivesse início no começo de 2010, mas, segundo a Vale, há dificuldades no processo de compra das casas incluídas na primeira etapa. “O processo de negociação não é fácil, demanda tempo. Além disso, os moradores têm encontrado dificuldades em achar outro lugar para morar”, argumentou Mariana.
De acordo com as representantes da empresa, a Vale já comprou 66% dos imóveis dos 117 incluídos na primeira etapa. Os que foram negociados já foram demolidos. A intenção da empresa é fazer uma faixa de isolamento entre a mina de operações e a cidade. Mariana Diniz afirmou que não é possível fazer uma previsão de quando a Vila Cisne começará a ter os imóveis negociados porque a mineradora tem sido muito flexível com relação ao tempo que os moradores têm para deixarem suas casas. O limite é de seis meses, mas essa contagem pode ser revista se houver necessidade.
E é justamente essa falta de prazo que tem deixado os moradores da Vila Cisne angustiados. Eles reclamam que os vazios provocados pelas demolições das casas da Vila Paciência têm deixado mais intensos os impactos da mineração na mina da Vale. As principais queixas estão relacionadas à quantidade de poeira e aos abalos originados pelas detonações. O termo “abandono” foi o mais usado pelos moradores, que ainda reclamam que a Prefeitura não vai querer fazer melhorias em um bairro que sabe que vai deixar de existir.
Outra reclamação dos moradores é a desvalorização de seus imóveis. Eles fizeram queixas de que suas casas não terão o mesmo valor, por causa do ambiente da Vila Paciência, que cada vez mais ganha ares de local abandonado. Moradora do bairro, a vereadora Martha Mousinho (PTN), reforçou que até pessoas que residem no bairro Pará já têm reclamado de desvalorização de seus imóveis. “A gente percebe que isso tem avançado naquela região”, afirmou a legisladora.
O vereador Geraldo Torrinha (PDT) resumiu o desejo dos moradores. “A solução é que a Vale faça as negociações da Vila Cisne juntamente com as da Vila Paciência”, defendeu. Logo em seguida, ele, em comunhão aos representantes do bairro, pediu ajuda às representantes da mineradora. Mariana e Roberta comentaram que essa reivindicação já foi feita pelos moradores em reunião passada e que iriam reforçar esse pedido.
Ao fim do encontro, os vereadores presentes concordaram em fazer um ofício conjunto e enviar à empresa para enfatizar o pedido dos moradores. Também ficou acordado que vai circular na Vila Cisne um abaixo-assinado para ser anexado junto ao documento da Câmara. Além de Martha Mousinho e Geraldo Torrinha, também participaram Ilton Magalhães (PR), Tião da Antena (PP), Solimar Silva (PSDB), Paulo Chaves (PSDB) e João Grande (PR).