Moradores de Monlevade mostram preocupação com poluição em operações da ArcelorMittal

Moradora filmou “nuvem de poluição” oriunda de depósito de sucata operado por prestadora de serviço da siderúrgica

Moradores de Monlevade mostram preocupação com poluição em operações da ArcelorMittal
Imagem flagrada por moradora do bairro Areia Preta – Foto: Reprodução/Facebook

A emissão constante de gases poluentes na atmosfera por parte das operações da ArcelorMittal tem preocupado a população de João Monlevade. Sobretudo em tempos de uma pandemia caracterizada por problemas respiratórios, moradores se mostram temerosos com relação aos impactos da poluição.

Moradora do bairro Areia Preta, a atendente Adriana Mesquita, encaminhou à reportagem de DeFato Online vários vídeos em que mostra uma “nuvem de poluição” saindo de um  “depósito de sucata” operado por uma terceirizada da ArcelorMittal Monlevade. Os impactos das atividades da usina na qualidade do ar, em especial nos arredores da siderúrgica, são reclamações recorrentes em Monlevade.

Veja o vídeo:

 

Apesar do histórico de reclamações, os moradores estão mais temerosos devido à pandemia do coronavírus, como é destacado pela moradora. Segundo Adriana, o receio dela e de vizinhos são as complicações respiratórias. Isso porque, como afirmado pelas autoridades de saúde, tais complicações se agravam caso o paciente contraia o coronavírus.

“A gente respira esses resíduos. Isso é praticamente todos os dias. Já fizemos reuniões com a ArcelorMittal Monlevade e com a empresa terceirizada, teve vereador, mas nada é feito por nós. O tempo inteiro vivemos essa situação”, relatou Adriana.

Essa preocupação foi tema de reportagem do Jornal DeFato no mês de abril. Conforme mostrou a publicação, a aferição da qualidade do ar a partir das operações da usina é feita pela própria empresa.

Confira em outro vídeo encaminhado à reportagem:

 

ArcelorMittal se manifesta

A reportagem de DeFato Online procurou a Assessoria de Comunicação da ArcelorMittal em Monlevade. Segundo a assessoria, a empresa possui quatro estações de monitoramento, localizadas em áreas sobre a influência das atividades do empreendimento, conforme condicionantes ambientais. “Os resultados avaliados atendem aos padrões estabelecidos pela norma”, destacou a siderúrgica.

Ainda de acordo com a ArcelorMittal Monlevade, as medições são feitas semanalmente, com intervalo de seis dias. Questionados sobre as medidas ou equipamentos que a siderúrgica dispõe para minimizar o impacto da poluição do ar, a usina citou que há dois precipitadores eletrostáticos, três lavadores de gases e 16 filtros de mangas à tratamento de efluente atmosférico. Além disso, a empresa destacou que mantém caminhões pipas para umectação de via não pavimentadas.

Outro questionamento enviado foi se há algum tipo de acompanhamento por parte da comunidade no processo de verificação da qualidade do ar. Nesse quesito, a ArcelorMittal destacou que possui um canal aberto com a população, por meio das áreas de Relações Institucionais e Meio Ambiente. Os dois setores “registram as reclamações e sugestões  e trabalham internamente para mitigar os impactos causados por suas operações”. Por fim, a siderúrgica informou que mantém contato para informar sobre as ações realizadas em caso de reclamações.

Campanha

A Prefeitura lançou na última semana a campanha “Monlevade Sem Fogo é um Dever de Todos”. O projeto é executado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e tem parceria com a Polícia Militar de Meio Ambiente, Brigada Florestal, Setor de Patrimônio da ArcelorMittal, Conselho de Segurança Pública (CONSEP), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e a empresa ADPA. O primeiro local em que houve intervenção foi justamente o bairro Areia Preta.  As denúncias devem ser feitas pelo 181 (Disque Denúncia) ou na Secretaria de Meio Ambiente pelo telefone  3852-3151.