Moradores protestam contra desocupações durante inauguração da Linha 2 do metrô em BH

Grupo cobrou respostas sobre famílias que alegam ainda viver em área de obras, enquanto o governo afirma que 341 núcleos cadastrados já foram indenizados

Moradores protestam contra desocupações durante inauguração da Linha 2 do metrô em BH
Foto: Ramon Agostinho/DeFato Online

Moradores afetados por desocupações ligadas às obras da Linha 2 do metrô protestaram, na manhã desta sexta-feira (3), durante a inauguração das estações Nova Suíça e Amazonas, em Belo Horizonte. O grupo levantou cartazes durante o pronunciamento oficial do governador Mateus Simões e cobrou respostas sobre famílias que alegam não ter recebido indenização ou solução definitiva para a saída dos imóveis.

A manifestação ocorreu dentro da cerimônia realizada na Estação Nova Suíça, na região Oeste da capital. Entre as mensagens exibidas pelos manifestantes estavam questionamentos sobre o impacto social da expansão do metrô e sobre a permanência de moradores em áreas relacionadas à obra. A Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias informou, em resposta à DeFato Online, que as ações de desocupação ocorreram em faixa de domínio ferroviária, em área pública ocupada irregularmente.

O evento marcou a inauguração das duas primeiras estações da Linha 2 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O novo trecho liga a Estação Nova Suíça, que passa a integrar as linhas 1 e 2, à Estação Amazonas, na Gameleira. A viagem entre as duas estações dura cerca de três minutos, segundo a concessionária MetrôBH.

As estações começam a funcionar em operação assistida. Até o fim de setembro, a Estação Amazonas terá atendimento de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 16h. Em outubro, o funcionamento será ampliado para os dias úteis, das 5h15 às 23h. A operação todos os dias, incluindo fins de semana, está prevista para novembro.

Segundo Amanda Lelis, representante dos moradores atingidos, as famílias que ainda contestam a situação vivem na região da Nova Gameleira e da Gameleira, em áreas próximas às obras da Linha 2. Ela afirma que a disputa com a MetrôBH ocorre há quase três anos e que uma mesa de negociação foi aberta no âmbito do COMPOR, do Ministério Público de Minas Gerais, há pouco mais de um ano.

De acordo com Amanda, as 16 famílias que ainda reivindicam indenização fizeram cadastro enquanto a mesa do COMPOR estava aberta, após um pedido de recadastramento para identificação dos moradores. Mesmo assim, segundo Amanda, esses núcleos não foram incluídos no contrato.

A representante também afirma que algumas casas não foram seladas na fase inicial porque equipes responsáveis não encontraram os moradores ou porque teriam informado que retornariam depois, o que, segundo ela, não aconteceu. Amanda nega que famílias indenizadas tenham voltado a ocupar a área.

A Seinfra afirma que, mesmo considerando irregular a ocupação da faixa de domínio, o Estado e a concessionária conduziram uma negociação assistida com as famílias. De acordo com a secretaria, 341 famílias cadastradas foram indenizadas, com valores a partir de R$ 100 mil, além do pagamento de quatro meses de aluguel social e do custeio de duas mudanças para cada núcleo familiar atendido.

Segundo a secretaria, os demais casos seriam referentes a construções erguidas após o período de cadastramento e o início das desocupações, em área pública e de forma irregular. Por esse motivo, conforme o governo, não haveria possibilidade de inclusão desses núcleos no programa de ressarcimento.

A Seinfra informou ainda que aguarda decisão judicial para adotar novas providências sobre a desocupação das áreas pendentes. A secretaria também afirmou que, por se tratar de faixa de domínio ferroviária e área de segurança operacional, não há viabilidade técnica nem respaldo jurídico para instalação de abastecimento de água ou fornecimento de energia elétrica no local.

A Linha 2 ainda terá outras cinco estações até chegar ao Barreiro. Pelo cronograma informado pela concessionária e pelo Governo de Minas, as estações Nova Gameleira, Nova Cintra e Vista Alegre devem ser entregues no início de 2027. As estações Ferrugem e Barreiro estão previstas para o início de 2028.