Moreno, Tardelli e as idolatrias necessárias
Volta dos dois ídolos ao Cruzeiro a ao Atlético, respetivamente, é recheada de coincidências. E de importâncias para cada uma das equipes
Diego Tardelli foi oficializado como o sétimo reforço do Atlético no último dia 12. Não demorou muito, sete dias depois, para ser exato, e Marcelo Moreno se apresentava à torcida do Cruzeiro, para sua terceira passagem pelo clube. A proximidade entre as datas dos anúncios oficiais é apenas um dos aspectos que aproxima a história que já foi e que ainda pode ser contada pelos dois em seus clubes.
Marcelo Moreno abriu mão de um contrato gordo, na China, para voltar a ter seu nome gritado pela outra China, a azul. Apesar disso, ele ainda será um dos atletas mais bem pagos do Cruzeiro. No futebol, claro, ídolo também custa dinheiro.
Tardelli não tinha contrato em vigor, depois de rescindir com o Grêmio. Mas também parecia estar na China. Longe – do bom futebol, da forma física, da concentração e da felicidade, tudo isso revelado pelo próprio jogador. Tardelli não veio de graça. Seu novo contrato prevê bônus e aumentos em caso de bom desempenho.
Marcelo Moreno, aos 32 anos, é (muito) melhor do que seus atuais concorrentes na posição. Tardelli, mesmo aos 34, tem e sempre teve mais bola pra jogar do que Di Santo e Ricardo Oliveira.
Marcelo Moreno, em sua apresentação à torcida, se declarou à Raposa e afirmou: “vamos reconstruir o Cruzeiro”. Ao adotar a palavra, Moreno, torcida e a nova diretoria referem-se ao sentido amplo da reconstrução: financeira, moral, institucional e, não menos importante, técnica. O que tem Moreno, senão propriedade e credibilidade em forma de gols para falar em dar a volta por cima?
O Atlético apostou em um estrangeiro para ser o treinador da equipe, que trouxe com ele toda uma comissão técnica. O clube dispensou medalhões, aposta na contratação de jovens jogadores e, aos poucos, encosta e dispensa os remanescentes dos maiores títulos da história do clube. O que é isso, senão uma reconstrução? O que significa Tardelli, senão um laço de identificação a um clube que se movimentou justamente para mudar de identidade?
Tardelli e Moreno são centroavantes. Ambos vêm para sua terceira passagem nos clubes. Os dois carregam consigo um componente maior do que somente a perícia em fazer gols. Escolheram voltar a defender suas equipes num momento de reconstrução, ainda que em dimensões totalmente distintas para Atlético e Cruzeiro. O fato de defenderem camisas tão diferentes e tão rivais parece até ser um mero detalhe em meio a tantas coincidências.

Leandro Colombo é graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770 e estagiário no Grupo DeFato
Para entrar em contato com o colunista, use as redes sociais:
Facebook: https://www.facebook.com/leandro.colombo.712
Instagram: https://www.instagram.com/_leandrocolombo/?hl=pt-br
Twitter: https://twitter.com/_leandrocolombo




