Morre dona Dadá, aos 107 anos: Itabira perde uma pessoa querida e a eleitora mais experiente

Conhecida na cidade por várias obras e projetos realizados, dona Dadá tinha um carisma sem-igual

Morre dona Dadá, aos 107 anos: Itabira perde uma pessoa querida e a eleitora mais experiente
Foto tirada em junho, no aniversário de 107 anos de Dadá. Foto: Família Dona Dadá
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Águeda Drummond Lima, a dona Dadá, morreu ontem (11), aos 107 anos. Foi o primeiro velório no Memorial Santa Teresinha, no bairro Água Fresca, inaugurado quinta-feira (8). Dadá morava no bairro da Penha, em Itabira; era viúva do promotor doutor Nelson Lima de Guimarães. Atualmente, estava em uma casa de repouso em Belo Horizonte, onde morou por dois anos e meio. De acordo com familiares, estava fraca pela avançada idade, e faleceu em um hospital na capital. Até a última eleição (2018), ela exerceu o seu direito a voto.

História

Dadá teve cinco filhos com Nelson: Marco Aurélio (in memoriam), Miriam, Marília (Marilu), Márcio e Maurício Drummond Lima. Ela foi professora por anos, lecionava na fazenda da Florença, em Santa Maria de Itabira, onde aposentou-se. É comum encontrar pessoas que a conheceram que a definia como “uma pessoa sorridente, com ânimo de viver e religiosa”. Dona Dadá veio de família conhecida em Itabira. Filha de Francisco de Assis Freitas Drummond, que foi fazendeiro; e de Senhorinha Martins da Costa Andrade, neta materna de Carlos Casemiro da Cunha Andrade e de Ana Joaquina de Andrade Cruz.

Foto: Família de dona Dadá

 

Procurada pela DeFato, sua filha Marilu destacou a importância de sua mãe para a sociedade:

“Ela trouxe muitos benefícios para a sociedade. Fez muitos trabalhos filantrópicos, ajudou a construir clube, responsável pela construção do hospital, ela deixa um legado que só poderia ser descrito em um livro! Uma pessoa que encantava a todos, abria portas para receber todos, era muito viva”, ressaltou Marilu.

A força mental e espiritual eram pontos que os familiares destacam. O vigor em sempre estar presente e atuante na vida social impressionava muito Marilu: “Nas últimas eleições ela esteve presente votando. Ela surpreendeu a gente em todos os momentos que esteve aqui. Além disso, era pintora; fez quadros lindos da cidade. As pessoas falam que os quadros dela exalavam perfume característico de cada flor”, destacou sua filha.

Em matéria realizada pela DeFato em 2016, dona Dadá estava com 103 anos e esbanjava alto astral ao ir votar: “Sempre fiz questão de votar, é um privilégio e uma obrigação”, disse. Já em um projeto de autoria do vereador Geraldo Martins da Costa “Lado de Dona Dudu” instituiu o ano de 2013 como “Ano Municipal do centenário de Águeda Drummond Lima”.

Em depoimento no Facebook representando a família, sua nora, Ângela Andrade, publicou:

“Dona Dadá viveu intensamente. Foi uma mulher forte, corajosa, envolvida com projetos da sociedade itabirana. Deixará saudades em nossos corações. Foi com dona Dadá que tivemos o primeiro baile de debutantes em Itabira. Meus sentimentos e um afetuoso abraço a minha colega Miriam, a Marilu, Márcio e a todos os familiares. Dona Dadá descansa em paz com a sua missão cumprida.”

Em exclusividade, sua filha divulgou a mensagem de despedida proferida por ela hoje, na despedida dos familiares à dona Dadá:

A DESPEDIDA DE ÁGUEDA DRUMMOND LIMA-Minha querida mãe.

É difícil encontrar inspiração na morte, pois, pouco sabemos dela.
A inspiração no entanto, eu a encontro com muita facilidade, na vida.
Eu sei que a morte faz parte dela. É como o “The End” de um filme.
E, se este filme foi muito bom, se ele contou uma linda história de vida, seu final tem que ser lamentado, porque, sabemos que ele não se repetirá, para nós.
Os 107 anos vividos por dona Águeda, contam várias histórias que dariam filmes premiados.
Seriam filmes que traduzissem suas qualidades: dignidade, responsabilidade, honradez, fé, caridade e honestidade.
Um destes filmes poderia chamar-se, A dignidade de uma mulher.
Outro poderia ter o título de, A fé inabalável de uma serva de Deus.
Mais um: A respeitabilidade adquirida com exemplos de vida.
Outro mais: A elegância de uma mulher caridosa.
Seriam muitos filmes, cujos “The Ends”, não seriam, desejados.
Toda vitória deve ser comemorada e, viver tantos anos e com tantas glórias, tem que ter o seu Final aplaudido.
SALVE DONA ÁGUEDA e que DEUS a receba como você merece: com festa no céu.
Muito obrigado mãe, por você ser o meu espelho e o meu orgulho.
Aplausos para minha querida mãe.

Para finalizar, Marilu disse à DeFato: “Eu considero dona Dadá o meu espelho de vida. Ela vai deixar muita saudade a todos familiares e a quem a conheceu, mas sua missão foi muito bem cumprida aqui.”