Morre o cantor e compositor itabirano Newton Baiandeira

Baiandeira foi atendido na sede do Samu, mas não resistiu

Morre o cantor e compositor itabirano Newton Baiandeira
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Itabira perdeu um grande artista. Morreu na madrugada desta quinta-feira, 13 de setembro, o cantor e compositor itabirano Newton Baiandeira, 60 anos. A suspeita é que ele tenha sido vítima de um infarto fulminante. Ao passar mal em casa, a esposa o levou ao hospital para ser atendido. Quando passava em frente à sede do Samu, a 0h20, a dor no peito aumentou e ele foi atendido pelos profissionais do serviço móvel de urgência.
 
Segundo o coordenador do Samu, médico Júlio Lage, foram feitas várias tentativas de reanimação, mas Newton não respondeu aos estímulos e morreu no local. Uma ambulância o levou ao necrotério do Hospital Nossa Senhora das Dores.
 
Newton Baiandeira era casado, tinha quatro filhos e uma carreira marcante. Em junho deste ano, participou do 9º Encontro de Cultura em Serpa (Portugal), junto de outros itabiranos como Stael Azevedo, fotógrafa. Sua apresentação encantou os portugueses, sobretudo o prefeito de Serpa, que o convidou a voltar e gravar um CD em terras lusitanas. Segundo Stael, Baiandeira programava sua volta ao país ainda este ano.
 
Em entrevista a DeFato em 2010, o cantor, compositor e poeta contou sobre sua vida e o que mais lhe marcou na carreira. Confira trecho da entrevista a seguir.
 
“Venho de uma família de músicos e desde criança minha convivência com as artes foi determinante para a minha escolha de rumo. Se a música inspirada pela família me levou a cantar, a revelação conturbada do poeta Carlos Drummond de Andrade em meus quatro anos de idade me levaram à poesia também muito cedo. Na agenda cultural da escola – música, teatro, poesia -, minhas atuações artísticas eram bem recebidas e incentivadas. Com oito anos de idade, devo ter sido o primeiro “Drummonzinho” a recitar CDA pelas ruas de Itabira.
 
Algumas coisas marcaram minha história, com mais ou menos destaque: ganhar o primeiro Festival da Canção; gravar o meu primeiro disco, Raio de Sol; publicar o primeiro livro de poemas, Um sem fim de coisas; cantar no Lula Lá em Belo Horizonte para um público de setenta mil pessoas; aprender uma nota especial no violão com o papa da bossa nova, Roberto Menescal, no Rio; tocar por anos nas noites de São Paulo etc.
 
Mas o que me marca profundamente é a força da minha música; encanta-me O Trem Que Leva Minas ser consumido em tantos países do mundo sem que eu tenha precisado sair daqui. Nunca me preparei para o sucesso espetacular ou a fama. Acredito até que tive sempre muito receio, um fio de medo de não poder administrar as loucuras que se apregoavam sobre famosos. Ainda hoje, esse temor de perder o conquistado pelo incerto parece me proteger mais do que prejudicar. Sempre tive a incerteza de ir e não poder voltar. Minha relação com Itabira é meio que de filho agarrado à saia de mãe”.