Morte de Marília Mendonça: o que se sabe até agora?

Aeronave não tinha caixa-preta, mas a Polícia Civil finalizou a perícia no local e vai ouvir testemunhas

Morte de Marília Mendonça: o que se sabe até agora?
Foto: Divulgação / Cenipa

Nessa sexta-feira (12), o acidente aéreo que matou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas completa uma semana. As investigações para descobriu o que causou a queda da aeronave continua em andamento. Ao longo da semana, a perícia na área do acidente foi finalizada, os destroços mandados para o Rio de Janeiro e as turbinas para São Paulo.

A Polícia Civil é quem encabeça os trabalhos periciais. Além de ouvir as testemunhas oculares dos instantes que precederam a queda, também recolheu as amostras do material genético das vítimas para exames toxicológicos. A previsão é que o inquérito seja concluído em 30 dias.

O acidente aconteceu na zona rural de Caratinga, depois que o avião que transportava Marília Mendonça atingiu um cabo da torre de distribuição da Cemig e perdeu sustentação. Entenda tudo o que já foi informado pela polícia e o que ainda falta explicar:

O que se sabe?

1. Situação da aeronave e dos pilotos

Marília e sua equipe estavam a bordo de um avião de modelo King Air C90a, fabricado em 1984, com capacidade para seis passageiros. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a aeronave estava regular, com documentações e autorizações da equipe de voo em dia. Além disso, o piloto Geraldo Medeiros tinha 15 anos de profissão.

O avião pertencia à PEC Táxi Aéreo, mas os donos anteriores eram os cantores da dupla Henrique e Juliano. Eles venderam a aeronave em julho de 2020.

2. Caixa-preta

No sábado seguinte ao acidente (6), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que o avião não tinha caixa-preta, já que ela não é exigida para este tipo de aeronave. No entanto, foi encontrado um geolocalizador, que ajudará na investigação sobre o plano de voo.

3. Torre da Cemig

No domingo (4), a Cemig confirmou que o avião atingiu um cabo de uma torre de distribuição fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga, onde ele iria pousar. De acordo com o delegado regional da Polícia Civil de Caratinga, Ivan Lopes Sales, um cabo estava enrolado em uma das hélices do avião.

Há dois alertas para obstáculos próximos ao aeroporto de Caratinga. Essa informação é pública e de conhecimento obrigatório para pilotos. Mas, os cabos de alta tensão da Cemig não estão entre eles por estarem além dos limites do Plano Básico de Proteção do Aeródromo.

Porém, nos meses anteriores ao acidente, outros pilotos já haviam relatado aos órgãos aéreos da região que os fios elétricos atrapalhariam o pouso no aeródromo de Caratinga. São relatos chamados Notam (Notificação Aeronáutica), que indicam dados sobre riscos e alertam outros pilotos que se dirigem à região sobre perigos para operar no local.

4. Perícia

Equipes do Cenipa e de uma empresa de guincho particular resgataram, na segunda-feira (8), os dois motores do avião foram enviados para perícia no fabricante em Sorocaba. Já os destroços do avião que caiu com Marília Mendonça chegaram, na noite desta terça-feira (9), ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A fuselagem, dividida em partes menores, passará por uma perícia detalhada em um hangar da Aeronáutica.

O que falta esclarecer?

1. Voo baixo

Ainda não está claro porque o avião estava voando baixo. Especialistas alegam que o piloto manteve a aeronave abaixo da rampa de pouso na tentativa de ver a cabeceira da pista.

2. Testemunhas

O trabalho de investigação do Cenipa e da Polícia Civil de Minas Gerais está focado em ouvir testemunhas do acidente e analisar instrumentos e destroços do avião. Segundo um dos relatos, o avião de Marília Mendonça teria perdido um dos dois motores ainda no ar, após colidir com os fios.