Motoristas de ônibus entram em greve a partir da meia noite

Greve de motoristas de ônibus em BH preocupa trabalhadores

Motoristas de ônibus entram em greve a partir da meia noite
Foto: Gladyston Rodrigues /EM / D.A Press

Motoristas de ônibus de Belo Horizonte entrarão em greve por tempo indeterminado a partir da meia noite desta quinta-feira (2). A informação foi divulgada na tarde desta quarta-feira (1) pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH). A notícia causou preocupação àqueles dependem do transporte público para garantir a ida e a volta ao trabalho, em tempos de dinheiro curto e orçamento apertado.

É o caso do pedreiro Devanir Jacinto, de 43 anos. Ele mora em Justinópolis, bairro de Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, e trabalha no Barro Preto, na região Centro-Sul de BH. Para chegar às 7h da manhã no trabalho, ele sai de casa às 4h. Será impossível para ele acordar mais cedo, e pegar um carro por aplicativo é inviável, visto que o dinheiro em sua casa está curto.

“Com os ônibus de greve fica impossível ir trabalhar. Acordar mais cedo do que já acordo não tem como. Uber fica caríssimo, e o meu orçamento não dá para isso. O que vou gastar com a ida e a volta de Uber dá mais que o meu dia de serviço. Vou tentar uma carona com a minha irmã e gastar para ajudá-la com a gasolina. Está muito difícil”, detalha.

A professora Zilca Piedade, de 66 anos, vai contar com a carona solidária de vizinhos para não faltar ao trabalho. Ela mora no bairro Floramar, na região Norte de Belo Horizonte, e trabalha no Centro.

“Não dá para pegar Uber com o preço que está. As contas precisam ser pagas, e o dinheiro está curto. Recebo no quinto dia útil, não tenho dinheiro. Por isso, vou contar com a camaradagem de amigos que têm carro, caso contrário será impossível”, diz.

A empregada doméstica Euza Pereira, de 40 anos, cogita faltar ao trabalho. Ela conta que terá como pagar por um transporte por aplicativo. A profissional mora no bairro Santa Terezinha, na região Leste de Belo Horizonte, e trabalha no Prado, na região Oeste da capital. Por dia, ela pega quatro conduções.

“Ir trabalhar a pé não dá, atravesso a cidade. Estou guardando dinheiro para fazer uma ceia com alguma fartura para a minha família. O jeito será conversar com a minha chefe e explicar para ela a dificuldade”, explicou.

Frota mínima

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH), os belo-horizontinos que precisam usar o transporte público não ficarão totalmente desassistidos. “Durante a paralisação será ofertada para a população a frota mínima – cerca de 60% dos ônibus”, disse o presidente do STTRBH, Paulo César.

* Conteúdo O Tempo

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