Movimento ultraconservador desafia o papa e cresce no Brasil com missa em latim e padre de costas
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma das congregações que se recusam a aceitar as reformas modernizantes que o Vaticano fez na década de 60
Diferente do que estamos acostumados a ver nas manhãs de domingo nas milhares de igrejas católicas espalhadas pelo Brasil, após um silêncio solene, o som dos sinos e o cheiro de incenso invadem o ambiente cristão anunciando o início da missa às 9h na pequena capela da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, na Vila Mariana, em São Paulo, no último domingo de Pentecostes, no fim de maio.
O padre adentra com seus diáconos pelo corredor principal carregando um turíbulo, um objeto de metal com correntes que ele balançava para a frente e para trás, como uma espécie de metrônomo no ritmo das preces que recitava de forma melodiosa em latim.
O padre parou de frente para o altar por cerca de uma hora, olhos fixos no Jesus crucificado, as flores e os castiçais sobre o altar enquanto celebrava a missa.
Nos bancos atrás dele, todos ocupados, os fiéis se amontoavam de pé nas laterais da igreja e nas escadas que levavam ao mezanino do segundo andar.
No caixote fixado na entrada, os livrinhos de traduções disponíveis para acompanhar as rezas em latim.
Cores sóbrias vestiam os fiéis, com exceção da vestimenta do padre, que portava uma casula, manto exterior que fica por cima de outras roupas e varia de cor de acordo com o tempo litúrgico, podendo ser verde, vermelho, branco, roxo.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma das congregações que se recusam a aceitar as reformas modernizantes que o Vaticano fez na década de 60, e continua celebrando missas como no período medieval, em latim, com o padre de costas para os fiéis em grande parte do culto.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu na Suíça, em 1970, e desde então desafia a Santa Sé. Seu fundador, o arcebispo francês Marcel Lefebvre, chegou sofrer castigo severo da Igreja Católica em 1988, sendo excomungado depois de nomear quatro novos bispos sem autorização do papa João Paulo 2º.
Mesmo com a punição, que proíbe a participação na comunhão e em outros ritos e sacramentos católicos, a congregação expandiu, internacionalizou na América do Sul entrando pela Argentina e nos últimos 29 anos vem ganhando adeptos no Brasil pelo avanço de correntes conservadoras entre católicos brasileiros.
Diante da expansão, o grupo que nomear bispos, sem o aval do Vaticano.
A celebração está marcada para o próximo dia 1º de julho na cidade suíça de Écône.
No breve momento que se manifestou em português na Vila Mariana, o padre convidou os fiéis que quisessem se juntar à comitiva brasileira para o evento na Europa, e pediu oração pelos novos bispos, mesmo com a promessa de excomunhão da Santa Sé se oficiarem as sagrações sem consentimento papal, podendo ser interpretadas como uma ruptura formal com a igreja.
Os religiosos da Congregação Sacerdotal São Pio X estão em 14 capelas em quatro das cinco regiões brasileiras, a exceção é o Norte do país, conforme os endereços listados nos boletins distribuídos aos fiéis: em SP, São Paulo (capital), Indaiatuba, Ribeirão Preto, Sorocaba, Itapetininga, São José do Rio Preto: Em Minas Gerais: Passos. No Paraná, Curitiba, no Mato Grosso, Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, Campo Grande, no Ceará, Fortaleza, No Piauí, Parnaíba, Teresina, no Maranhão, São Luiz.
O Papa Leão XIV alertou a congregação de que as nomeações sem autorização serão punidas com excomunhão.
*Fonte: BBC News




