MP denuncia prefeito de Guanhães por ameaçar ex-esposa e usar drones para perseguição, diz investigação
Conforme a denúncia, durante a campanha eleitoral, o prefeito teria pressionado a então companheira a manter a aparência de um relacionamento estável e não divulgar a separação
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o prefeito de Guanhães, Evandro Lott Moreira, por ameaçar de morte a ex-esposa e submetê-la, segundo a investigação, a uma série de episódios de perseguição, violência psicológica e intimidação após o fim do relacionamento. O político está preso preventivamente desde 1º de abril e responderá pelos crimes de ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo.
De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária (PCO), vinculada ao Ministério Público, os crimes teriam ocorrido entre agosto de 2025 e março deste ano. O relacionamento entre Evandro e a vítima durou cerca de 13 anos, e o término oficial ocorreu em fevereiro de 2025.
Segundo o MPMG, o prefeito não teria aceitado a separação e passou a ameaçar e monitorar a ex-companheira. Entre as evidências reunidas estão mensagens enviadas por aplicativo, incluindo a imagem de uma arma de fogo, além de conversas gravadas nas quais o investigado teria afirmado que a vítima “não seria de mais ninguém”.
Ainda conforme a denúncia, testemunhas relataram ameaças graves contra a mulher e o atual companheiro dela. Em um dos relatos, o denunciado teria afirmado que poderia “sumir” com ambos mediante pagamento.
Vigilância constante
As investigações também apontam que a vítima teria sido submetida a vigilância constante, perseguição e controle de sua rotina, inclusive com suposto uso de funcionários públicos subordinados e equipamentos como drones para monitoramento.
O Ministério Público sustenta ainda que houve violência psicológica sistemática. Conforme a denúncia, durante a campanha eleitoral, o prefeito teria pressionado a então companheira a manter a aparência de um relacionamento estável e não divulgar a separação. O órgão também afirma que episódios traumáticos da vida pessoal da vítima teriam sido expostos publicamente, causando constrangimento e abalo emocional.
Durante mandados de busca e apreensão, investigadores localizaram um revólver calibre .38 em um cofre na residência do denunciado e uma espingarda calibre .36 em uma propriedade rural vinculada a ele.
Além da manutenção da prisão preventiva, o Ministério Público pediu o desmembramento das investigações para apurar outros possíveis crimes, entre eles tentativa de feminicídio, adulteração de veículo, abuso de autoridade e supostas irregularidades administrativas.




